PT faz intervenção no diretório do Rio para definir suplente de Benedita e Quaquá rompe com campanha; veja bastidores
Disputa se dá pela indicação de suplente; pré-candidata quer indicar ex-presidente da Casa da Moeda, que caiu no mensalão


Eduardo Gayer
Após uma intensa disputa de bastidores, a Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou nesta terça-feira (12) uma intervenção no diretório estadual do Rio de Janeiro e poderá definir, a partir do comando nacional, os suplentes de Benedita da Silva (PT-RJ), pré-candidata ao Senado. A decisão representa uma derrota para o grupo ligado ao vice-presidente do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que tem maioria no diretório estadual.
À revelia de Quaquá, Benedita quer indicar seu chefe de gabinete, Manoel Severino, como primeiro suplente. Diante do veto do diretório estadual, recorreu a aliados da Executiva Nacional, argumentou que tem a prerrogativa de montar sua chapa e conseguiu a intervenção.
Após a medida ser aprovada, Quaquá avisou ao PT que não fará campanha para a correligionária.
Manoel Severino foi presidente da Casa da Moeda no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deixou o cargo durante o escândalo do mensalão. À época, o empresário Marcos Valério entregou à Polícia Federal um documento que citava o petista como um dos beneficiários do esquema.
Anos depois, Severino admitiu ter recebido R$ 100 mil em caixa dois para quitar dívidas da campanha de Benedita da Silva ao governo do Rio, em 2002.
A pré-candidata ao Senado fará campanha ao lado do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), que pretende disputar o governo do estado e apoiar a candidatura de Lula.
Para Quaquá, uma eventual escolha de Severino pode gerar desgaste político.
“Estão transformando o PT em uma capitania hereditária. Isso vai cair no colo do Lula e do Eduardo Paes”, declarou Quaquá. “Eu não estarei mais na campanha. Ela estará sozinha.”
No grupo de WhatsApp da Executiva Nacional, Quaquá elevou o tom nas críticas.
“Eu estou c*gando para a suplência. Mas não contem comigo para a eleição dela! Não vou botar minhas digitais nessa burrice”, escreveu o prefeito de Maricá. “Sejam felizes”, acrescentou.









