Roubo de medicamentos dispara e quadrilhas miram canetas emagrecedoras
Levantamento exclusivo obtido pelo SBT Brasil mostra avanço do crime organizado sobre cargas de alto valor e pequeno volume
Simone Queiroz
Medicamentos se tornaram o novo alvo das quadrilhas especializadas em roubo de carga no Brasil. O crescimento desse tipo de crime é apontado em um levantamento exclusivo obtido pelo SBT, que revela uma mudança no perfil das ações criminosas e no interesse por produtos de alto valor agregado, como as canetas emagrecedoras.
Segundo dados da Nstech, os medicamentos representaram 22,3% dos roubos de carga registrados nos três primeiros meses do ano. No mesmo período de 2025, o índice era de apenas 1,7%.
Com o aumento dos casos, os criminosos também passaram a atuar de forma mais sofisticada. Segundo Cristiano Tanganelli, vice-presidente de Inteligência de Mercado da nstech, as abordagens deixaram de ocorrer principalmente em rodovias e passaram a acontecer próximas aos centros de distribuição.
“As abordagens aconteciam em rodovias, em postos de combustível, quando os veículos estavam em pernoite ou abastecimento. Agora, as quadrilhas agem quando os veículos estão saindo das origens ou aguardando descarga”, explicou.
Cargas menores e mais caras viraram alvo
As investigações apontam que o crime organizado passou a priorizar mercadorias menores, mas com alto valor de mercado. Segundo o levantamento, cerca de 40% dos roubos registrados envolviam cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão.
Entre os produtos mais procurados estão medicamentos de alto custo e canetas emagrecedoras, que ocupam pouco espaço e podem gerar grande lucro no mercado ilegal.
Rio concentra quase metade dos roubos de carga
Historicamente, a Região Sudeste concentra os maiores índices de roubo de carga no país devido à grande circulação de mercadorias. Neste ano, o cenário ficou ainda mais concentrado: 78,2% dos casos ocorreram na região. Em 2025, o índice era de 61%.
O Rio de Janeiro lidera o ranking nacional e responde sozinho por 44% dos roubos de carga registrados no Brasil.
Segundo Tanganelli, algumas empresas evitam transportar mercadorias para o estado por causa do risco elevado.
“Existem regiões dominadas pelo crime organizado onde não conseguimos entrar nem com apoio dos órgãos de segurança pública”, afirmou.
PRF alerta para aumento do contrabando
Além dos roubos urbanos, a Polícia Rodoviária Federal também registra crescimento no contrabando de medicamentos nas estradas.
Segundo o inspetor Marcio Silva, os produtos costumam ser transportados em pequenas caixas de isopor, o que facilita o transporte clandestino.
“Um pequeno volume desse medicamento pode gerar um grande lucro”, destacou o policial.
As autoridades também alertam para os riscos à saúde de quem compra medicamentos roubados ou contrabandeados.
Segundo a PRF, produtos transportados sem refrigeração e armazenamento adequados podem perder a eficácia e provocar complicações graves.
“Em vez de trazer o benefício esperado, o medicamento pode provocar hospitalização e até levar à morte”, alertou o inspetor Marcio Silva.









