EUA e Irã intensificam ameaças e colocam cessar-fogo sob risco em meio a crise global de energia
Escalada verbal entre os dois países pressiona negociações e já provoca impactos no preço de combustíveis, alimentos e cadeias de suprimento no mundo

Sérgio Utsch
Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ameaças, elevando a tensão e colocando em risco o cessar-fogo entre os dois países. O tom recente das declarações de autoridades indica que a trégua está cada vez mais fragilizada.
De um lado, há sinais de prontidão militar. Do outro, autoridades americanas minimizaram a reação iraniana, classificando-a como “fraca” e sugerindo que o acordo está “por um fio”.
Nesta terça-feira, o Irã fez uma nova ameaça: afirmou que, em caso de novos ataques, poderá enriquecer urânio a 90% — nível necessário para a produção de uma bomba atômica.
Enquanto isso, mediadores internacionais tentam evitar o colapso das negociações. A estratégia, segundo a ONU, é não se concentrar na retórica, mas garantir que ambas as partes permaneçam comprometidas com o diálogo.
Apesar do embate verbal, os efeitos concretos do conflito já são sentidos em escala global. A instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, tem provocado uma crise energética sem precedentes, com impacto direto nas cadeias de suprimento.
O aumento no preço dos combustíveis já atinge diferentes setores. No Zimbábue, agricultores relatam que os custos de transporte praticamente dobraram. Na Europa, consumidores reconsideram viagens diante da alta nos preços. “Queria visitar minha família, mas está inviável”, diz Greg, morador de Londres, que desistiu de viajar para a Austrália.
A agricultura também sofre pressão. Produtores enfrentam aumento no custo de fertilizantes, afetando diretamente a produção de alimentos. “Antes, uma tonelada de trigo comprava uma de fertilizante. Agora, são necessárias três”, relata Guillaume, agricultor na França.
Até a indústria sente os efeitos. No Japão, a escassez de insumos químicos usados na impressão já impacta a produção de embalagens, alterando até a aparência de produtos no mercado.
Diante do cenário, países como Turquia, Catar e Paquistão intensificam esforços diplomáticos para evitar que o Estreito de Ormuz seja usado como instrumento de pressão no conflito.
A cada dia de incerteza, aumentam os prejuízos e se alonga o tempo necessário para a recuperação da economia global.









