PGR pede arquivamento de investigação contra senador flagrado com dinheiro na cueca
Órgão apontou ausência de provas; Chico Rodrigues foi indiciado por suspeita de desvio de recursos públicos durante a pandemia da Covid-19


Camila Stucaluc
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pelo arquivamento da investigação contra o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), flagrado em 2020 com dinheiro vivo dentro da cueca. No parecer, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (6), o órgão aponta para a insuficiência de provas.
A manifestação se refere ao inquérito que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos durante a pandemia da Covid-19 em Roraima. A apuração teve origem em 2020, a partir de relatos de um ex-dirigente da Secretaria de Saúde do estado, levando à deflagração de uma operação pela Polícia Federal.
Entre os alvos estava Rodrigues, que, durante cumprimento de busca e apreensão, foi flagrado com mais de R$ 30 mil na cueca, sendo indiciado sob suspeita de envolvimento no esquema. Na época, o senador disse que tentou guardar o valor para pagar funcionários, negando origem ilícita.
Na manifestação enviada ao STF, a PGR afirmou que, apesar da forma como os valores foram encontrados, não foi possível demonstrar a proveniência ilícita do dinheiro. Com isso, segundo o órgão, não se configura o crime de lavagem de dinheiro.
"Tampouco se formaram elementos suficientes para caracterizar o crime de embaraço à investigação de organização criminosa, uma vez que a subsunção dessa conduta exige demonstração concreta de que a ocultação teve por finalidade frustrar ou dificultar a apuração de infração penal específica vinculada a organização criminosa", disse.
O pedido de arquivamento da apuração foi parcial. No documento, a PGR pediu o envio do caso para a Justiça Federal de Roraima para fatos que ainda demandam investigação. É o caso da compra de equipamentos de proteção individual pela Secretaria de Saúde de Roraima junto à empresa Quantum Empreendimentos em Saúde, que tem indícios de superfaturamento e peculato.
Agora, caberá ao ministro Flávio Dino, relator do caso, decidir se acolhe ou não o pedido de arquivamento sobre Rodrigues e as demais recomendações da PGR sobre a investigação.








