PF cita 6 ministros do STF em relatório sobre Vorcaro
Magistrados ou familiares teriam ligação direta ou indireta com o banqueiro; PF pediu reunião com Fachin para esta terça (13) para apresentar levantamento

Ministros do Supremo em sessão plenária | Gustavo Moreno/STF
A Polícia Federal (PF) deve apresentar nesta terça-feira (13) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, um levantamento que reúne referências a pelo menos seis dos dez ministros da Corte nas investigações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo fontes ouvidas pela coluna, os magistrados aparecem direta ou indiretamente no material analisado pelos investigadores, seja por relações pessoais, encontros, contratos profissionais ou negócios envolvendo familiares.
A própria Polícia Federal solicitou a reunião com Fachin para apresentar as informações que haviam sido solicitadas pelo presidente do STF. O encontro está previsto para esta terça-feira, quando o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, deverá colocar à disposição do presidente do Supremo os dados encontrados durante as investigações.
Segundo fontes, o levantamento reúne informações extraídas de mensagens, documentos e outros registros apreendidos no âmbito do caso Master. Também foram identificadas referências a integrantes de outros tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O objetivo é permitir que Fachin tenha conhecimento do alcance das citações e avalie quais providências poderão ser adotadas.
A iniciativa ocorre em meio ao desgaste provocado pelas revelações sobre as relações de Vorcaro com integrantes do Judiciário. A presença dos nomes no material, porém, não significa necessariamente que os ministros sejam investigados ou tenham cometido irregularidades.
O que já veio à tona sobre os seis ministros
Ao longo dos últimos meses, reportagens revelaram informações envolvendo Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes e André Mendonça.
As situações são diferentes e variam de encontros com o banqueiro a contratos milionários e relações profissionais mantidas por familiares.
Alexandre de Moraes
O ministro teve o nome associado a mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o banqueiro teria procurado Moraes pouco antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025.
Também veio à tona um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Reportagens revelaram ainda viagens do casal em aeronaves de empresas ligadas ao banqueiro.
Moraes nega ter mantido as conversas atribuídas a ele. O escritório de Viviane afirma que as viagens foram contratadas como serviços de táxi aéreo.
Dias Toffoli
O ministro deixou a relatoria do caso Master após a Polícia Federal apresentar informações sobre movimentações financeiras envolvendo a Maridt, empresa de sua família, e fundos ligados ao banco.
A empresa tinha participação no resort Tayayá, no Paraná. Também foram reveladas viagens de Toffoli em aeronave de uma empresa que tinha Vorcaro como sócio.
O ministro defende a legalidade de suas atividades empresariais e nega irregularidades.
Kassio Nunes Marques
Mensagens de Vorcaro mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil associados a Kevin Marques, filho do ministro, por intermédio de uma consultoria.
Kevin confirmou ter recebido R$ 281,6 mil por serviços jurídicos tributários, mas negou relação profissional com o Banco Master.
Também surgiram conversas sobre o custeio de uma mansão no Rio de Janeiro para hospedar um ministro identificado pelas iniciais "KN", além de despesas de hotel supostamente solicitadas em nome de Kassio.
O ministro nega ter pedido benefícios ou mantido contato com Vorcaro.
Luiz Fux
Mensagens recuperadas pela PF mostram a proximidade entre Vorcaro e Rodrigo Fux, advogado e filho do ministro.
Outras conversas indicam que empresas com relações comerciais com o banqueiro participaram do custeio de despesas ligadas a uma viagem de Fux a Nova York e a um evento da revista Forbes em homenagem ao magistrado.
Fux afirma que nunca teve relação com Vorcaro e que participou do evento a convite da revista. O escritório de Rodrigo nega ter prestado serviços ou recebido pagamentos do banqueiro.
Gilmar Mendes
O nome do ministro aparece indiretamente em conversas envolvendo Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho, ex-cunhado de Gilmar, contratado por uma empresa investigada por suspeitas de realizar pagamentos ligados a Vorcaro.
As mensagens tratavam de interesses no setor de educação, incluindo a abertura de cursos de medicina, tema de processos relatados por Gilmar no STF.
Outra ligação envolve a advogada Dalide Corrêa, ex-diretora-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição da qual Gilmar é sócio. Ela recebeu R$ 33 milhões do Master e foi descrita como sócia do ministro em uma mensagem de um executivo do banco.
Gilmar nega ter tratado de interesses de Vorcaro com o ex-cunhado e afirma que nunca manteve sociedade com a advogada.
André Mendonça
Mendonça, que conduziu as investigações do Banco Master antes de mudanças na relatoria, confirmou ter se encontrado com Vorcaro em março de 2025, em São Paulo.
Segundo o ministro, a reunião durou entre 20 e 30 minutos e tratou de precatórios relacionados ao banco. Mensagens encontradas pela PF também mostram convites feitos ao banqueiro para eventos do Instituto Iter, fundado por Mendonça.
Não há confirmação de que Vorcaro tenha participado desses eventos. O ministro nega irregularidades.
Fachin terá de avaliar encaminhamentos
Segundo fontes, a apresentação do levantamento busca dar ao presidente do Supremo uma visão abrangente das referências a integrantes da Corte encontradas durante as investigações.
A entrega do material ocorre em um momento de divergências internas no tribunal sobre os desdobramentos do caso Master e os limites das apurações que envolvem magistrados.
Em manifestação anterior, Fachin afirmou que os fatos relevantes devem ser rigorosamente investigados, sem exceções, respeitando as atribuições das instituições responsáveis pelas apurações.
A expectativa é que o encontro desta terça-feira ajude a definir os próximos passos. Entre as possibilidades está a elaboração de relatórios individualizados, caso sejam considerados necessários.
Segundo fontes, o material a ser apresentado não representa, por si só, uma acusação formal contra os seis ministros. A avaliação sobre eventuais irregularidades dependerá da análise dos documentos e dos encaminhamentos adotados pelas autoridades competentes.















