Política

PCC e CV: designação é política e não combate o crime

Ex-secretário Nacional de Justiça Augusto Arruda avalia que medida ameaça soberania brasileira e não ajuda no combate ao crime organizado

Avatar de Antonio Souza
Avatar de SBT News
Antonio Souza, SBT News

A medida dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras foi considerada “100% política” pelo ex-secretário nacional de Justiça Augusto de Arruda.

Em entrevista ao programa News Noite nesta quinta-feira (28), ele afirmou que a decisão pode impactar a soberania brasileira e ter reflexos em ano eleitoral.

“É uma decisão perigosa, essencialmente política, que pode influenciar a narrativa eleitoral e afetar o Brasil”, declarou
SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Segundo o ex-secretário, a medida não contribui de forma prática para enfrentar o crime organizado no Brasil. Para ele, ampliar a integração entre as forças de segurança é um passo fundamental para o combate às facções.

“Primeiro falta uma integração maior entre o governo federal, os governos estaduais e as polícias. A inteligência policial em casos como esse é muito importante, porque estamos lidando com facções criminosas que muitas vezes estão mais aparelhadas e mais modernas do que as próprias polícias”, afirmou.

Ainda de acordo com Arruda, o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas é essencial para reduzir seu poder de atuação.

“É preciso estrangular financeiramente as organizações criminosas. O foco não pode estar apenas na repressão que vemos nas ruas. Uma organização criminosa é como uma empresa que comete crimes. Precisamos fazer essa empresa falir”, destacou.

Resposta diplomática e defesa da soberania

O ex-secretário defendeu que o governo brasileiro conteste a decisão norte-americana por vias diplomáticas e, caso haja impactos concretos em situações específicas, também por meio do Judiciário. Para ele, trata-se de uma questão relacionada à soberania nacional.

"O governo precisa dar uma resposta firme, diplomática, porque isso é uma questão de soberania nacional. Temos um país estrangeiro tomando uma medida que pode ter impactos para cidadãos comuns e para empresas brasileiras. Ela deve ser contestada diplomaticamente e, quando houver impacto concreto em casos específicos, também pelo Poder Judiciário”, concluiu.

Últimas notícias