Política

Novo Código Civil: saiba o que pode mudar nos direitos de famílias, pets e uniões homoafetivas

Comissão de juristas criada pelo Senado Federal é responsável pela proposta; prazo para apresentação final do projeto se encerra em 12 de abril

S
I
M
SBT News, Iasmin Costa, Murilo Fagundes
04/04/2024, 13:54 • Atualizado em 04/04/2024, 13:58
compartilhar
Novo Código Civil: saiba o que pode mudar nos direitos de famílias, pets e uniões homoafetivas

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A advogada Rachel Ferraz, especialista na vara familiar, explicou em entrevista ao Brasil Agora desta quinta-feira (4) as mudanças propostas no novo Código Civil.

A comissão de juristas que cuida desse assunto no Senado pretende alterar a nomenclatura do que se entende por "direito de família" para "direito das famílias". "Para contemplar essa diversidade que a nossa Constituição Federal já respeita e já acomodou", apontou Ferraz.

A revisão e atualização recebem foco especial nesta semana (1º a 5 de abril), para votação do relatório final da proposta. Em debate, estarão mudanças importantes para a jurisdição nacional. Como, por exemplo, os direitos de família, constituição e casamento, relação com animais de estimação e tutores, fertilização in vitro e doação de gametas (óvulos e espermatozoides), além da chamada "barriga solidária".

Ferraz explica: o Código Civil "é a lei que regulamenta realmente as relações particulares, as relações do dia a dia, desde as questões mais simples até as mais complexas. Uma batida de carro, o próprio nascimento, até a morte, nas questões relacionadas ao que o falecido deixou. Então tudo isso está relacionado".

Questões da conjugalidade e filhos

Segundo aponta a especialista aos apresentadores Murilo Fagundes e Iasmin Costa, os pontos mais sensíveis regidos pelo código de leis são os assuntos do ambiente familiar.

"Um ponto muito interessante que eu vejo são relacionados aos filhos [...] a tentativa de não se falar mais em guarda dos filhos, mas se falar na autoridade parental, buscando realmente uma divisão dessa responsabilidade de forma justa, para que as mulheres possam ter realmente respeitado o seu valor dentro dessa relação parental e os pais sejam convocados a participar um pouco mais", exemplificou.

Em relação às questões relacionadas também ao casamento e à união estável, a jurista explica que a proposta apresenta uma "equiparação definitiva na lei do que já é feito em relação ao casamento e à união estável".

O tema com maiores possibilidades de discussão está na determinação de gênero entre os envolvidos, abrangendo a interpretação com o termo "duas pessoas livres e desimpedidas".

Como era: Art. 1.514. O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.

Como pode ficar: Art. 1.514. O casamento se realiza quando duas pessoas livres e desimpedidas manifestam, perante o celebrante, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal e o celebrante os declara casados. Parágrafo único. Pelo casamento, os nubentes assumem mutuamente a condição de consortes e responsáveis pelos encargos da família.

Desde 2011, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), casais homoafetivos têm garantido o direito à união estável. Agora, com a exclusão dessas referências, a proposta de reforma do Código Civil, caso seja aprovada pelo Congresso, garantirá aos indivíduos LGBTQIAP+ o direito às uniões civis.

Isso afastaria as investidas conservadoras que apelam ao conjunto de leis na tentativa de vetar o reconhecimento.

Divórcio sem consentimento do outro

Há, inclusive, mudanças em casos de divórcio ou dissolução de união estável — permitindo a apenas uma pessoa do casal iniciar o processo, sem a necessidade de ação judicial, mesmo quando não houver consenso. É um dever do ex-casal também "compartilhar, de forma igualitária o convívio e os encargos para com os filhos, bem como dos animais de companhia".

"Isso é muito importante por que dá essa liberdade da pessoa de rapidamente, diante da decisão, de reconstituir sua vida afetiva, a relação dos animais de estimação com a família, trazendo esse olhar atento", avalia.

O colegiado foi criado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e é presidido pelo ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os trabalhos do grupo se encerram até 12 de abril.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Fernando Iggnácio: ex-PMs são condenados a mais de 30 anos

Fernando Iggnácio: ex-PMs são condenados a mais de 30 anos

Imagem da notícia: Ônibus cai em desfiladeiro e deixa 14 mortos no Peru

Ônibus cai em desfiladeiro e deixa 14 mortos no Peru

Imagem da notícia: Mega-Sena altera dia de sorteio; veja o que muda

Mega-Sena altera dia de sorteio; veja o que muda

Imagem da notícia: Briga por terreno pode ter motivado a morte de casal no DF

Briga por terreno pode ter motivado a morte de casal no DF

Imagem da notícia: Fernando Iggnácio: ex-PMs são condenados a mais de 30 anos

Fernando Iggnácio: ex-PMs são condenados a mais de 30 anos

Imagem da notícia: Ônibus cai em desfiladeiro e deixa 14 mortos no Peru

Ônibus cai em desfiladeiro e deixa 14 mortos no Peru

Imagem da notícia: Mega-Sena altera dia de sorteio; veja o que muda

Mega-Sena altera dia de sorteio; veja o que muda

Imagem da notícia: Briga por terreno pode ter motivado a morte de casal no DF

Briga por terreno pode ter motivado a morte de casal no DF

Últimas notícias

Camisa de Pelé na final de 1958 é vendida por R$ 25 mi

Peça usada pelo craque aos 17 anos se torna a segunda mais cara da história em leilões, atrás apenas da camisa de Maradona em 1986

Quem é a influenciadora presa por 'Boa Noite, Cinderela'

Polícia do Rio afirma que Stephany Lopes Souza, de 34 anos, dopava homens idosos, furtava dinheiro e ainda extorquia novas quantias após os crimes

Justiça rejeita recurso de Dr. Jairinho no caso Henry Borel

Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mantém decisão que negou a transferência do júri para outra cidade e afasta tentativa da defesa de anular a condenação

Moraes proíbe visitas políticas a Bolsonaro até após eleição

Ministro do STF também vetou manifestações eleitorais em nome do ex-presidente e suspendeu visitas a ele por 30 dias, que cumpre prisão domiciliar humanitária

'Prévia do PIB' do BC mostra crescimento de 0,1% em maio

O indicador IBC-Br, divulgado nesta sexta-feira (17), indicou estabilidade em relação a abril

Polícia procura casal de pastores por abuso contra meninas

Segundo a Polícia Civil, líderes religiosos usavam a posição na congregação para conquistar a confiança das vítimas; mais de dez jovens já prestaram depoimento