Brasil

Arquivo Nacional reúne mais de 800 registros de OVNIs no Brasil e debate chega ao Congresso

Documentos enviados pela Aeronáutica desde 2008 incluem relatos de pilotos, gravações e casos históricos, como a 'Noite dos OVNIs', de 1986

Após o parlamento norte-americano reunir militares para discutir os impactos dos OVNIs na soberania nacional, o tema também começou a ganhar espaço no Brasil. A Câmara dos Deputados, em Brasília, iniciou debates sobre ufologia e segurança aérea.

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O SBT Brasil teve acesso a documentos guardados no Arquivo Nacional que reúnem registros de supostos avistamentos de objetos voadores não identificados no céu do país.

Entre cerca de 17 quilômetros de documentos armazenados no Arquivo Nacional, em Brasília — distribuídos em milhares de caixas — algumas chamam atenção pelas etiquetas: “OVNIs”.

Desde 2008, todo material que o Comando da Aeronáutica decide tornar público sobre o tema é encaminhado ao arquivo. O acervo já reúne mais de 800 documentos, entre relatórios, comunicações e registros de avistamentos.

Segundo o técnico em assuntos culturais do Arquivo Nacional, Pablo Endrigo Franco, novos documentos continuam chegando todos os anos.

"A gente tem recebido cerca de 60 dossiês e relatórios de avistamentos que o Comando da Aeronáutica envia anualmente."

De acordo com ele, o material é um dos mais pesquisados da instituição.

"Esse conjunto documental é um dos acervos mais pesquisados do Arquivo Nacional. Nós recebemos a documentação dos órgãos públicos e a tornamos pública. Cabe aos pesquisadores e à sociedade construir a história e pensar a memória dessa temática."

Casos históricos

O primeiro avistamento registrado oficialmente no Brasil, ocorrido em 1954, também faz parte do acervo. Trata-se do chamado Caso Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Nas fotografias em preto e branco, uma suposta nave aparece no céu sobre a praia. Análises posteriores apontaram que as imagens eram falsas.

Mesmo assim, centenas de documentos de outros episódios continuam levantando dúvidas. Um dos mais conhecidos é a chamada “Noite dos OVNIs”, registrada em 19 de maio de 1986.

Na ocasião, radares da Aeronáutica detectaram objetos luminosos desconhecidos sobre os céus de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná. Naquela noite, cinco caças da Força Aérea Brasileira foram enviados para interceptar os objetos, mas nenhum conseguiu alcançá-los.

Limites da investigação

Para o historiador João Francisco Schramm, episódios como esse mostram os limites das investigações científicas sobre o tema.

“Os militares interceptaram e foram atrás, mas os objetos desapareceram. Para a ciência, seria necessário capturar ou analisar um desses objetos. Sem isso, o que resta são relatos, estudos históricos, antropológicos e jornalísticos.”

Ele afirma que o Estado brasileiro demonstra pouco interesse em aprofundar o assunto.

"Essas interceptações estão documentadas. No entanto, não há nas fontes da Força Aérea reflexões sobre o que poderia estar por trás desses fenômenos. E, se existem estudos mais aprofundados, não temos acesso."

Debate no Congresso

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) tentou ampliar a discussão no Congresso com uma audiência pública realizada em setembro do ano passado. O encontro reuniu pesquisadores e representantes de entidades ligadas à ufologia.

"Existe preocupação com a segurança nacional, e certos assuntos podem exigir sigilo. Mas não se pode tratar esse tema como maluquice. Vivemos num mundo com drones e novas tecnologias. Informação precisa é importante para a segurança nacional e para a sociedade."

Procurada pela reportagem para comentar se existem estudos em andamento sobre objetos voadores não identificados, a Aeronáutica não respondeu.

Pesquisadores e relatos

O mistério em torno do assunto alimenta o trabalho de pesquisadores conhecidos como ufólogos, que investigam relatos, rastros e documentos sobre possíveis evidências de vida extraterrestre.

Um deles é Thiago, que levanta dúvidas sobre possíveis impactos ambientais desses objetos.

"Que tipo de energia eles usam? Gasolina, petróleo? Não sabemos. Há casos em que o pouso deixa marcas no solo. Em alguns relatos também há níveis de radiação."

Ele afirma que também existem registros de objetos mergulhando em rios e oceanos, sem que se saiba se há impacto ambiental.

O vice-presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos, Fernando Ramalho, diz que as próprias experiências também fazem parte da pesquisa.

"Se algum dia houver contato, precisamos estar preparados para evitar pânico e conflitos religiosos."

Segundo ele, o primeiro avistamento ocorreu quando tinha 14 anos. Já adulto, registrou um novo episódio durante uma vigília com outros ufólogos no chamado Vale do Disco, em São Tomé das Letras (MG).

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