Política

Moro consolida volta ao ninho bolsonarista seis anos após rompimento e posterior fracasso em se tornar 3ª via

Em 24 de abril de 2020 ex-xerife da Lava Jato deixava o ministério da Justiça acusando Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal

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Sergio Moro deu as mãos a Flávio Bolsonaro nesta terça-feira (24), quase seis anos após acusar o pai do hoje aliado de tentar interferir indevidamente na Polícia Federal. A aliança para as eleições de outubro consolida a volta do ex-juiz para o seio bolsonarista após o rompimento e o posterior fracasso na tentativa de se viabilizar como uma terceira via no país.

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Moro ascendeu ao foco do noticiário nacional como juiz da Lava Jato, escândalo que implodiu os alicerces da política nacional a partir de 2014 e que contribuiu para o caldo antissistema que impulsionou a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

Dias após a vitória de Bolsonaro sobre Fernando Haddad (PT) --nome escolhido por Lula, condenado e preso por Moro--, o então xerife da investigação aceitou o convite do novo presidente, abandonou 22 anos de magistratura e assumiu a pasta da Justiça com status de superministro. 

Os superpoderes do ex-juiz, porém, foram sendo paulatinamente tolhidos pelo presidente e culminaram na sua saída, em 24 de abril de 2020, após se negar a assinar a exoneração de Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal. Bolsonaro avaliava, na ocasião, que Valeixo não era alguém que ele "pudesse ligar para colher informações” sobre investigações. 

Na época, Sérgio Moro não tergiversou e disse que o que estava acontecendo era uma interferência política que não havia ocorrido nem sob o comando de Lula.

O rompimento levou Moro a um período de recuo coincidente com o desmonte judicial da Lava Jato, ocasião em que atuou no exterior como diretor no setor de disputas e investigações na consultoria americana Alvarez & Marsal.

A volta ao Brasil foi marcada pela disposição do ex-juiz de furar a polarização entre PT e bolsonarismo e se tornar presidente da República.

Moro se filiou ao Podemos em novembro de 2021, migrou depois para o União Brasil, mas, assim como outros postulantes à terceira via, viu sua pretensão presidencial naufragar antes mesmo de chegar à urna.

Redirecionou então sua estratégia política para a disputa ao Senado pelo Paraná. Elegeu-se com quase dois milhões de votos válidos e, nesse período, começou a pavimentar a volta ao seio bolsonarista. Moro apoiou no segundo turno a tentativa de reeleição de Bolsonaro, tendo acompanhado o então presidente em debates na TV.

A foto de agora do "filho O1" de Bolsonaro com o ex-desafeto, os discursos e toda a pompa montada pelo PL para filiar o ex-juiz não fazem menção à alegada interferência na PF, indicando a possibilidade de a preocupação manifestada por Moro em 2020 ter sido apenas uma justificativa para testar a autonomia e o quanto poderia avançar entre os eleitores conservadores. 

O fracasso na pretensão presidencial em 2022 mostrou que ele tinha um limite eleitoral e que carecia ainda de molejo político. 

Agora, para conseguir viabilizar a sua candidatura ao Palácio Iguaçu, Moro consolida a aliança com o PL, já que a federação PP-União Brasil ameaçava negar-lhe a legenda. 

A partir deste 24 de março ele faz parte oficialmente da sigla de Valdemar Costa Neto, que já foi preso e condenado no escândalo do Mensalão, e de outros colegas igualmente enrolados --vide serem do PL, por exemplo, os três primeiros deputados e ex-deputados condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por desvios de emendas parlamentares. 

As diferenças que em 2020 pareciam inegociáveis são agora apenas mais um capítulo da história política do país. Resta agora a Moro se voltar para os novos obstáculos eleitorais. Assim como ele um frustrado ex-candidato a terceira via, Ratinho Júnior (PSD) permanecerá na cadeira de governador e indica disposição de se empenhar para evitar que o comando do estado caia nas mãos do ex-xerife da Lava Jato.

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