Política

Moraes completa 5ª nota para negar relação com Vorcaro, mas deixa várias perguntas sem resposta

Ministro do STF está no centro da crise política causada pelo caso Master

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Alexandre de Moraes e as supostas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro | Reprodução
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Alexandre de Moraes divulgou nesta sexta-feira (6) a quinta nota em menos de dois meses e meio para negar suspeitas pontuais de relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas em todo esse período tem deixado várias perguntas sem resposta.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que está no centro da crise política provocada pelo caso Master, se manifestou nesta sexta no sentido de afirmar que "análise técnica" constatou que as mensagens enviadas por Vorcaro no dia da sua prisão, em 17 de novembro, "não conferem" com seus contatos.

Moraes não diz quem fez essa análise técnica, como ele conseguiu acesso a dados que estão sob sigilo no próprio STF e na CPMI do INSS, nem se ele teria trocado mensagens e, se sim, o que teria tratado com o banqueiro.

O jornal o Globo afirma que Vorcaro enviou a Moraes mensagens momentos antes de sua prisão, entre elas a de "Conseguiu bloquear?".

Pergunta de Vorcaro ao ministro: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?" | Reprodução
Pergunta de Vorcaro ao ministro: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?" | Reprodução

O jornal reproduziu tela de WhatsApp que mostra conversa do banqueiro com um contato identificado como Alexandre de Moraes BRASILIA neste dia 17 de novembro, por meio de mensagens de visualização única --ou seja, não é possível ver o que foi dito.

Na véspera, Moraes já havia soltado uma nota, mais curta, sobre o mesmo assunto: "O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal".

O caso Master se abateu sobre Moraes quando o jornal O Globo revelou contrato de R$ 129 milhões do banco com o escritório da sua mulher, Viviane Barci de Moraes, valor muito acima dos praticados no mercado.

Moraes nem Viviane nunca se manifestaram sobre esse contrato, o que teria justificado os valores e quais seriam os serviços prestados.

Diferentemente disso, o ministro usou o inquérito das Fake News para abrir investigação contra servidores da Receita suspeitos de vazar informações sobre ministros da corte.

Foi no final de dezembro que Moraes soltou suas primeiras notas sobre o caso Master, que havia sido liquidado pelo Banco Central no mês anterior. Logo após reportagens terem apontado pressão do ministro nos bastidores sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Em 23 de dezembro, ele veio a público dizer que recebeu Galípolo e outros banqueiros para discutir a aplicação da Lei Magnitsky contra ele pelo governo norte-americano.

"Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da Lei Magnitsky", disse, em resposta a reportagem do jornal O Globo de que ele teria procurado Galípolo ao menos quatro vezes para tratar do caso Master.

Na noite do mesmo dia, Moraes soltou uma segunda nota, dessa vez para rebater reportagem do jornal O Estado de S.Paulo segundo quem ele havia ligado ao menos seis vezes em um mesmo dia para Galípolo para tratar da compra do Master pelo BRB.

Nessa, disse que o escritório da mulher jamais atuou em alguma ação relacionada à tentativa de compra do BRB e disse que se encontrou com Galípolo duas vezes, sempre para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky. Afirmou ainda que nunca houve ligações telefônica entre ambos, "para esse ou qualquer outro assunto".

Em 27 de janeiro, o Portal Metrópoles publicou reportagem dizendo que Moraes teria estado ao menos duas vezes na mansão de Vorcaro no Lago Sul, em Brasília, sendo que em uma delas teria conhecido Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.

A outra visita teria ocorrido no fim de semana da eleição norte-americana de novembro de 2024.

Moraes disse, nessa terceira nota, que a informação "sobre o encontro com o então presidente do BRB em um fim de semana do primeiro semestre de 2025 na casa do banqueiro Daniel Vorcaro é falsa e mentirosa". Ele não se manifestou sobre o outro encontro descrito na reportagem.

Veja a íntegra de todas as manifestações feitas até agora por Moraes sobre o caso Master:

- 23 de dezembro de 2025, pela manhã

"O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da FEBRABAN, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito".

- 23 de dezembro de 2025, à noite

"O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que realizou, em seu gabinete, duas reuniões com o Presidente do Banco Central para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky. A primeira no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/07; e a segunda no dia 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master. Esclarece, ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto. Por fim, esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central."

- 27 de janeiro de 2026

"A matéria do Portal Metrópoles sobre uma suposta reunião do Ministro Alexandre de Moraes, acompanhado por um assessor, com o então Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, na casa do banqueiro Daniel Vorcaro é falsa e mentirosa. Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal."

- 5 de março de 2026

"O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal."

- 6 de março de 2026

"A Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal, por solicitação do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, informa: Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos. No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro). Ou seja, fica demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes.

Os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados na presente nota em virtude do sigilo decretado pelo Ministro André Mendonça, mas constam no arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa."

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