Política

Meta admite falhas em contas de Lula e nega viés político

Empresa afirma que brecha permitiu gerar cartazes com o número 22 e diz ter corrigido o problema no mesmo dia; plataforma nega favorecimento político

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Vicklin Moraes
Meta admite falhas em contas de Lula e nega viés político

A Meta, responsável pelo Facebook e pelo WhatsApp, afirmou que uma lacuna nas proteções de sua inteligência artificial permitiu a geração de materiais de campanha favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto solicitações semelhantes envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) eram recusadas. Em nota divulgada nesta sexta-feira (16), a empresa afirmou que identificou e corrigiu a falha no mesmo dia, em 14 de outubro, e negou favorecimento político.

Segundo a Meta, o problema ocorreu porque os sistemas bloqueavam solicitações que mencionavam explicitamente os nomes dos candidatos, mas nem sempre reconheciam referências que combinavam nomes comuns com números eleitorais. Com isso, pedidos que utilizavam o nome "Flávio" acompanhado do número 22 podiam gerar imagens de cartazes de campanha. A mesma brecha permitia a criação de imagens com o nome "Luiz" e o número 13, associado a Lula.

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A empresa afirmou que bloquear isoladamente nomes como "Flávio" e "Luiz" poderia impedir solicitações cotidianas de geração de imagens sem relação com política. A Meta também declarou que proibiu temporariamente sua inteligência artificial de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil para cumprir as regras eleitorais.

Conforme divulgado pelo SBT News, a Meta AI produzia, a pedido dos usuários, artes com a inscrição "Flávio 22", mas recusava solicitações semelhantes com "Lula 13". Ao receber o segundo pedido, a ferramenta respondia: "Não consegui gerar a imagem que você pediu agora".

Na nota, a empresa negou que os episódios registrados durante a campanha eleitoral indiquem interferência política ou tratamento desigual entre candidatos. A Meta também contestou as acusações apresentadas pela campanha de Lula à Justiça Eleitoral e afirmou ter encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma defesa com informações técnicas sobre os incidentes.

A manifestação foi divulgada um dia depois de representantes da empresa se reunirem com integrantes da cúpula do TSE para discutir o assunto. A Meta afirmou que a Corte não identificou, na decisão mencionada pela empresa, indícios de manipulação da distribuição de conteúdos em benefício ou prejuízo de qualquer candidatura.

Além do episódio envolvendo a inteligência artificial, a empresa apresentou explicações para outros problemas técnicos apontados pela campanha de Lula.

Segundo a Meta, em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha do presidente foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, após um anúncio ser classificado como possível tentativa de se passar por um programa social do governo. A empresa atribuiu o episódio a uma análise antifraude relacionada a um acordo firmado com a Advocacia-Geral da União (AGU) para combater golpes envolvendo programas federais. A plataforma afirmou que as páginas oficiais da campanha no Facebook e no Instagram não foram bloqueadas.

A empresa também informou que, em 7 de outubro, uma falha global afetou a contagem de visualizações de vídeos e Reels durante cerca de cinco horas. O problema atingiu criadores em mais de cem países, e a campanha de Flávio Bolsonaro também teria procurado a plataforma para relatar a ocorrência. A Meta afirmou que o desempenho da conta oficial de Lula no Instagram ficou acima de seu patamar recente naquele dia.

A Meta negou que os episódios representem favorecimento ou perseguição política e afirmou que aplica as mesmas regras a candidatos, partidos e diferentes posições políticas. A empresa também criticou a ação judicial apresentada pela campanha de Lula e disse que continuará se defendendo no processo.

Ao final da nota, a plataforma declarou que seguirá cumprindo a legislação eleitoral brasileira e corrigindo eventuais falhas técnicas para garantir condições iguais aos usuários de seus serviços.

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