Política

Mauro Vieira vai à Câmara para falar sobre postura do Brasil na eleição da Venezuela

Audiência pública com o chanceler brasileiro na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional está marcada para as 9h, nesta quarta-feira (13)

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Guilherme Resck
13/11/2024, 09:00 • Atualizado em 14/11/2024, 21:35
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O Brasil não reconheceu o resultado do pleito venezuelano | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil não reconheceu o resultado do pleito venezuelano | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, vai à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (13), para discorrer sobre a postura do país na eleição presidencial da Venezuela, realizada em 28 de julho. A audiência pública com o chanceler está marcada para às 9h.

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O evento foi organizado a partir da aprovação, pelo colegiado, de um requerimento de autoria do presidente da comissão, Lucas Redecker (PSDB-RS). O parlamentar pediu exatamente a realização de uma audiência pública com a presença de Mauro Vieira para que o chanceler discuta com os membros do colegiado a postura do Brasil no pleito venezuelano — em que Nicolás Maduro foi reeleito, derrotando Edmundo González, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral local.

Na justificativa do requerimento, Lucas Redecker ressalta que a eleição foi marcada "por uma série de irregularidades e denúncias de fraude, favorecendo o regime de Nicolás Maduro, que poderá acumular um total de 17 anos no poder". Além disso, critica a forma como o Brasil se portou em relação aos possíveis problemas no processo eleitoral.

"O Brasil preferiu o silêncio. Timidamente, para não suscitar reações raivosas por parte de Maduro, o Itamaraty, em nota, pediu que as atas das mesas de votação fossem exibidas, confirmando a isenção do pleito", afirma.

"O pedido foi reiterado pelo enviado do governo brasileiro em Caracas, o chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim", acrescenta.

O Brasil não reconheceu o resultado da eleição venezuelana. O país, de fato, pediu que o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela publicasse as atas eleitorais, para comprovar o resultado do pleito, mas isso não ocorreu.

Em entrevista veiculada no domingo (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que "Maduro é problema da Venezuela, não do Brasil". "Eu vou cuidar do Brasil, o Maduro cuida dele, o povo venezuelano cuida do Maduro, e eu cuido do Brasil. E vamos seguir em frente", completou.

Tensões entre os países

Apesar do histórico amistoso entre Lula e Maduro, as relações se estremeceram ao longo deste ano, mesmo antes da eleição venezuelana.

Quando a líder da oposição, María Corina Machado, foi impedida de disputar a presidência, o Itamaraty emitiu nota dizendo que acompanhava o pleito com "preocupação". A Venezuela reclamou do posicionamento brasileiro.

Pouco antes da eleição, Maduro disse, sem citar provas, que as eleições no Brasil não são auditadas, em acusação rebatida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Novas crises ocorreram em outubro, quando o Brasil vetou entrada da Venezuela no Brics. O país de Maduro classificou a posição brasileira como "agressão inexplicável". Celso Amorim declarou que "houve uma quebra de confiança" entre os países sobre a eleição no país vizinho.

A Polícia Nacional Bolivariana da Venezuela chegou a publicar uma imagem com a bandeira do Brasil, referência a Lula e mensagem em tom ameaçador: "Quem mexe com a Venezuela se dá mal". Depois, a publicação foi apagada.

A Venezuela ainda convocou de volta o seu embaixador em Brasília, Manuel Vadell. Uma decisão desse tipo costuma significar descontentamento e indica que um governo não se enxerga como bem-vindo em outro território.

Em nota, o Itamaraty relatou ter visto com "surpresa o tom ofensivo adotado por manifestações de autoridades venezuelanas em relação ao Brasil e aos seus símbolos nacionais". Novamente, o governo venezuelano repudiou o que chamou de "agressão" do Brasil a Maduro.

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