Política

Marina Silva volta a falar em "terrorismo climático": "Neste momento, qualquer incêndio é criminoso"

Em entrevista à EBC, ministra do Meio Ambiente alerta para risco de fogo em 60% do território brasileiro

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Raphael Felice
17/09/2024, 15:06 • Atualizado em 17/09/2024, 15:10
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Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em programa da EBC | Reprodução/YouTube

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em programa da EBC | Reprodução/YouTube

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, voltou a usar o termo "terrorismo climático" ao se referir às recorrentes queimadas que vêm se espalhando pelo Brasil nos últimos meses. "Neste momento, qualquer incêndio se caracteriza como incêndio criminoso", avisou. Ela fez um apelo para que medidas adotadas no país contra incêndios sejam mais duras, como, por exemplo, aumentar a pena de incendiários.

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Em entrevista a um programa da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), "Bom Dia, Ministra", Marina afirmou existir uma aliança criminosa para agravar o problema no país, que já vem enfrentando secas severas por conta do acúmulo de poluição ao longo dos séculos e da forte aceleração das mudanças climáticas.

"A diferença é que aqui no Brasil tem essa aliança criminosa, de uma espécie de terrorismo climático, onde as pessoas estão usando a mudança do clima para agravar mais ainda o problema. Isso é um crime contra o interesse público, contra a finança pública. Um crime que, com certeza, deve ter uma pena agravada", disse.

Na entrevista, Marina ainda relatou que brigadistas foram recebidos a tiros em Rondônia, após pedido de socorro do povo indígena Suruí. Fo preciso recorrer à Força Nacional.

"Recebi um pedido de socorro do povo Surui porque eles viram que criminosos estavam ateando fogo dentro da reserva indígena, nós mandamos nossos brigadistas e eles foram recebidos a bala. Tivemos que pedir ajuda da Força Nacional de Segurança. Os brigadistas dos indígenas também já tinha sido violentamente expulsos da área deles próprios a bala", disse Silva.

Segundo a ministra, no atual contexto, cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados correm risco de pegar fogo. A situação se agravou por causa de ações criminosas, segundo a Polícia Federal (PF) vem investigando. A área sob risco corresponde a 60% do território nacional.

"Neste contexto, se as pessoas não pararem de atear fogo, nós estamos diante de uma situação, só para você ter uma ideia, de uma área de quase 5 milhões km² com matéria orgânica muito seca em processo de combustão muito fácil devido à baixa umidade, alta temperatura e também velocidade dos ventos. É como se tivéssemos ali uma situação de risco em todo território nacional", disse Marina Silva. O Brasil tem uma extensão territorial de aproximadamente 8,5 millhões km².

Diante da situação caótica, a Marina afirmou ainda que o governo precisa intensificar ações integradas com estados e municípios para evitar catástrofes maiores. Além disso, ela frisou que, nas circunstâncias atuais, qualquer incêndio decorrente de queimadas será posto como criminoso.

"Neste momento, qualquer incêndio se caracteriza como incêndio criminoso. Há uma proibição do uso do fogo em todo território nacional, Os estados, os últimos que fizeram decretos de proibição do fogo foram Rondônia e o Pará. E o Ministério do Meio Ambiente, desde o meio do mês de abril, havia estabelecido o alerta para que os estados fizessem a decretação da proibição do fogo. Nós estamos vivendo uma seca severa, praticamente em todo o território nacional, e essa proibição caracteriza que qualquer incêndio está sendo feito contrário à lei. E isso caracteriza crime", disse.

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