Lula sanciona com 63 vetos projeto que flexibiliza regras de licenciamento ambiental
Congresso ainda vai decidir se derruba dispositivos vetados; governo encaminhou ao Legislativo medida para criar licença especial e um novo PL com urgência
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Gabriela Vieira
08/08/2025, 16:03 • Atualizado em 09/08/2025, 01:58
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)sancionou com vetos nesta sexta-feira (8) o projeto de lei (PL) que fragiliza regras de licenciamento ambiental. Ao todo, eram quase 400 dispositivos, dos quais o chefe do Executivo decidiu não aprovar 63.
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Segundo a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, o governo pretende dar segurança jurídica para os empreendimentos licenciados, preservar a integridade do processo de licenciamento, assegurar os direitos dos povos indígenas e incorporar inovações para tornar o procedimento mais ágil sem perder qualidade.
O governo divulgou e detalhou os 63 vetosdurante coletiva no Palácio do Planalto sobre o projeto, chamado de "PL da devastação" por ambientalistas. O presidente também assinou uma medida provisória (MP) que determina a eficácia imediata da Licença Ambiental Especial (LAE). Anteriormente, só entraria em vigor 180 dias após a sanção.
Coletiva de imprensa para explicar vetos ao PL do licenciamento ambiental | Divulgação/Rogério Cassimiro/MMA
Belchior também informou que o governo está enviando ao Congresso Nacional um novo projeto de lei com urgência constitucional, para preencher os "vácuos" deixados pelos vetos e evitar insegurança jurídica.
Em relação ao Licenciamento por Adesão e Compromisso (LAC), que permite licenciamento automático eera uma das partes polêmicas do texto, o presidente Lula restringiu trecho que previa um licença ambiental por adesão de compromisso de 5 a 10 anos para atividades de pequeno e médio poluidor. Agora, vai valer apenas para os empreendimentos de baixo potencial poluente.
"A LAC, quando se coloca ela pra empreendimentos de médio impacto poluidor, isso não é algo aceitável. Então não vai ter licenciamento monofásico. Foi um trabalho minucioso. Mais de 70% da população estava preocupada. É um esforço grande pra ganhar agilidade no licenciamento de obras, mas sem perda de qualidade na proteção ao meio ambiental", disse a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
Outro ponto também discutido foi sobre a Mata Atlântica. O governo vetou a retirada do regime de proteção especial previsto na Lei da Mata Atlântica em relação à supressão de floresta nativa. Entre os vetos, estão: a dispensa de análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR), artigo que retirava o caráter vinculante de manifestação de órgãos gestores de Unidades de Conservação (UCs) e dispositivos que contrariavam a proteção dos povos indígenas.
Entre os trechos mais criticados está a emenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que cria a Licença Ambiental Especial (LAE). O mecanismo prevê um trâmite mais simplificado para empreendimentos estratégicos, com aprovação obrigatória em até 12 meses, mesmo que haja risco de danos ambientais.
Outro ponto polêmico é a já citada Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que prevê emissão de forma automática pelo próprio empreendedor para atividades de pequeno e médio porte, mediante compromisso de cumprimento das exigências ambientais.
O projeto foi extremamente criticado por ambientalistas e patrocinado por setores industriais e do agronegócio. Agora, os pontos serão discutidos novamente no Congresso, para um acordo mútuo entre Executivo e Legislativo.
Os vetos deverão ser publicados ainda hoje em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
Lula sanciona com 63 vetos projeto que flexibiliza regras de licenciamento ambientalCongresso ainda vai decidir se derruba dispositivos vetados; governo encaminhou ao Legislativo medida para criar licença especial e um novo PL com urgênciaPolítica2025-08-08T16:03:01.628ZO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou com vetos nesta sexta-feira (8) o projeto de lei (PL) que fragiliza regras de licenciamento ambiental. Ao todo, eram quase 400 dispositivos, dos quais o chefe do Executivo decidiu não aprovar 63. Segundo a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, o governo pretende dar segurança jurídica para os empreendimentos licenciados, preservar a integridade do processo de licenciamento, assegurar os direitos dos povos indígenas e incorporar inovações para tornar o procedimento mais ágil sem perder qualidade. O governo divulgou e detalhou os 63 vetos durante coletiva no Palácio do Planalto sobre o projeto, chamado de "PL da devastação" por ambientalistas. O presidente também assinou uma medida provisória (MP) que determina a eficácia imediata da Licença Ambiental Especial (LAE). Anteriormente, só entraria em vigor 180 dias após a sanção. Belchior também informou que o governo está enviando ao Congresso Nacional um novo projeto de lei com urgência constitucional, para preencher os "vácuos" deixados pelos vetos e evitar insegurança jurídica. Em relação ao Licenciamento por Adesão e Compromisso (LAC), que permite licenciamento automático e era uma das partes polêmicas do texto, o presidente Lula restringiu trecho que previa um licença ambiental por adesão de compromisso de 5 a 10 anos para atividades de pequeno e médio poluidor. Agora, vai valer apenas para os empreendimentos de baixo potencial poluente. "A LAC, quando se coloca ela pra empreendimentos de médio impacto poluidor, isso não é algo aceitável. Então não vai ter licenciamento monofásico. Foi um trabalho minucioso. Mais de 70% da população estava preocupada. É um esforço grande pra ganhar agilidade no licenciamento de obras, mas sem perda de qualidade na proteção ao meio ambiental", disse a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Outro ponto também discutido foi sobre a Mata Atlântica. O governo vetou a retirada do regime de proteção especial previsto na Lei da Mata Atlântica em relação à supressão de floresta nativa. Entre os vetos, estão: a dispensa de análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR), artigo que retirava o caráter vinculante de manifestação de órgãos gestores de Unidades de Conservação (UCs) e dispositivos que contrariavam a proteção dos povos indígenas. Pontos polêmicos Entre os trechos mais criticados está a emenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que cria a Licença Ambiental Especial (LAE). O mecanismo prevê um trâmite mais simplificado para empreendimentos estratégicos, com aprovação obrigatória em até 12 meses, mesmo que haja risco de danos ambientais. Outro ponto polêmico é a já citada Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que prevê emissão de forma automática pelo próprio empreendedor para atividades de pequeno e médio porte, mediante compromisso de cumprimento das exigências ambientais. O projeto foi extremamente criticado por ambientalistas e patrocinado por setores industriais e do agronegócio. Agora, os pontos serão discutidos novamente no Congresso, para um acordo mútuo entre Executivo e Legislativo. Os vetos deverão ser publicados ainda hoje em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/lula-sanciona-com-63-vetos-o-projeto-que-flexibiliza-regras-do-licenciamento-ambiental
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