Política

Lula para Macron: 'Abra seu coração para o acordo com nosso querido Mercosul'

Em Paris, brasileiro discursou junto com presidente da França e falou sobre acordo com UE, parcerias entre os dois países e guerras no mundo

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Emanuelle Menezes
05/06/2025, 12:30 • Atualizado em 05/06/2025, 13:34
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Lula em declaração conjunta com Macron, nesta quinta-feira (5), em Paris | Ricardo Stuckert/PR

Lula em declaração conjunta com Macron, nesta quinta-feira (5), em Paris | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (5), em Paris. A fala veio após uma reunião com o francês, em que foram assinados acordos de cooperação em áreas como saúde, segurança pública, educação, cultura, e ciência e tecnologia.

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Lula iniciou o discurso afirmando que Macron recebeu a comitiva brasileiro "com a hospitalidade que somente um grande amigo pode oferecer". Entretanto, ao falar sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, pediu para o francês "abrir o coração".

"Eu assumirei a presidência do Mercosul no próximo dia 6. Eu quero lhe comunicar que não deixarei a presidência do Mercosul sem concluir o acordo com a União Europeia. Portanto, meu caro, abra o seu coração para a possibilidade de fazer esse acordo com o nosso querido Mercosul", disse.

O acordo Mercosul-União Europeia foi anunciado em dezembro de 2024, após 25 anos de negociações, mas é criticado pela França, que defende que a eliminação de grande parte das tarifas entre as duas regiões prejudicará os agricultores franceses. Macron chegou a classificar o tratado como "inaceitável".

Para Lula, o acordo é "a melhor resposta" que os dois blocos podem dar "diante do cenário de incertezas criado pelo retorno do unilateralismo e protecionismo tarifário".

Lula e Emmanuel Macron discursam em Paris | Ricardo Stuckert/PR
Lula e Emmanuel Macron discursam em Paris | Ricardo Stuckert/PR

Integração entre países

Lula afirmou que sua presença em Paris consolidava uma reaproximação após 13 anos sem visitas de mandatários brasileiros ao país. A última presidente brasileira a visitar a França foi Dilma Rousseff (PT), em 2012.

O brasileiro destacou que a maior fronteira da França não se dá na Europa, e sim com o Brasil. Por isso, ele defendeu uma integração entre os dois países para coordenar o combate ao tráfico, ao garimpo ilegal e ao desmatamento.

"Como vizinhos que compartilham extensa fronteira amazônica, apostamos nos benefícios da integração. É importante, presidente Macron, que o povo francês saiba que a maior fronteira da França com qualquer outro país não se dá na Europa, apesar da França ser um país europeu. Se dá com a América do Sul e, dentro da América do Sul, com o Brasil. A França deveria ter orgulho de dizer que a maior fronteira dela é no território amazônico", disse Lula.

O petista também exaltou os esforços entre os países na produção de helicópteros em Itajubá, Minas Gerais. Segundo ele, as aeronaves podem ajudar no combate mais eficaz ao narcotráfico e a garimpeiros e madeireiros ilegais.

"Estamos discutindo uma nova encomenda de aeronaves, porque o governo brasileiro precisa combater de forma muito eficaz o narcotráfico. Precisa combater com mais eficácia o garimpo ilegal, os madeireiros ilegais e tudo que for ilícito no nosso país. Um território como o Brasil, que tem as florestas que nós temos, não pode se dar ao luxo de não ter a quantidade de helicópteros necessária para que a gente faça o nosso trabalho bem feito", afirmou.

Emmanuel Macron e Lula | Ricardo Stuckert/PR
Emmanuel Macron e Lula | Ricardo Stuckert/PR

Ucrânia e Gaza

No discurso, Lula defendeu – mais uma vez – uma reforma no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Para ele, "as guerras da Ucrânia e em Gaza, a situação no Haiti e tantas outras crises esquecidas demonstram que a reforma do Conselho de Segurança da ONU é inadiável".

O brasileiro reforçou ainda posição semelhante a de Macron sobre o reconhecimento do Estado palestino. "Reconhecer o Estado palestino é um dever moral e uma exigência política de todos os governantes do mundo", disse Lula. Há cinco dias, em Singapura, o francês disse frase parecida.

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