Política

Lula joga videogame nacional inspirado na Guerra de Canudos

Presidente assinou decreto do Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, que estava há dois anos sem regulamentação

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Felipe Moraes
Presidente Lula (PT) joga videogame no Palácio do Planalto antes da assinatura de decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT) joga videogame no Palácio do Planalto antes da assinatura de decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (14), no Palácio do Planalto, o decreto do Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, que estava sem regulamentação desde a sanção do projeto originalmente proposto pelo deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), em 2024.

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Em agenda com dezenas de representantes do mundo dos videogames, o presidente e a primeira-dama Janja jogaram "Árida" (2019), título nacional desenvolvido pelo estúdio baiano Aoca Game Lab, do historiador Filipe Pereira. A produção é ambientada no sertão nordestino e inspirada na Guerra de Canudos, do fim do século 19.

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Lula admitiu não se interessar muito por jogos eletrônicos, mas se surpreendeu com "Árida". "Sempre me causou problema nos jogos é que não tem nada brasileiro. E hoje vi game sobre Canudos. Já li três livros sobre Canudos, já fui a Canudos. Parece até que Antônio Conselheiro é meu parente. Já fui a Quixeramobim, onde ele nasceu", contou.

"Nós temos histórias extraordinárias que a gente pode fazer com que o mundo conheça via game. Por que tenho que contar história chinesa, francesa, americana se posso contar história brasileira?", acrescentou o petista.

Lula justificou que a demora de dois anos para regulamentar a lei ocorreu porque o governo federal tentou construir consensos com o setor.

Presidente Lula (PT) participa de selfie com gamers no Planalto | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula (PT) participa de selfie com gamers no Planalto | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

"Significa que teve muita discussão. Muita gente concorda com o que nós fizemos e tem gente que não concorda. Até que nós chegamos a um ponto comum. Se não resolve 100% todos os problemas, abre porteira importante pra que a gente resolva com mais facilidade os que vão surgir daqui para a frente. Sobretudo a inquietação da falta de perspectiva para a juventude brasileira", disse.

Em outro recado ao eleitorado jovem a poucos dias do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro, o presidente refletiu que "fazer é difícil, destruir é apenas um passo". "Se organizem para que vocês não permitam que ninguém tire o que vocês conquistaram."

O que é o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos?

A lei traz diretrizes para ampliar uso de fomento, estimular formação de profissionais e promover jogos brasileiros nos mercados nacional e internacional. O texto também define responsabilidades de órgãos envolvidos e prevê mecanismos de proteção de usuários e de propriedades intelectuais.

Um dos pontos do decreto é a criação da Game Brasil, plataforma pública e gratuita para catalogar e divulgar jogos nacionais. As medidas econômicas ao setor incluem facilitação de empréstimos de menor valor e com juros reduzidos e acesso a recursos públicos.

"A partir do decreto, os games deixam de ser compreendidos apenas como software ou entretenimento e passam a ser reconhecidos como obras audiovisuais interativas e produtos culturais. Essa é uma mudança fundamental porque permite que os jogos brasileiros acessem instrumentos de fomento já consolidados, como a Lei do Audiovisual, a Lei Rouanet e o Fundo Setorial do Audiovisual", detalhou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

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