Política

Lula é recebido com apoio e vaias em chegada à Marcha dos Prefeitos

Presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) deu aviso aos prefeitos e disse que evento não é sobre "esquerda ou direita"

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Raphael Felice, Guilherme Resck
21/05/2024, 15:16 • Atualizado em 21/05/2024, 16:24
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Lula e Alckmin durante evento da XXV Marcha dos Prefeitos em Brasília | Reprodução

Lula e Alckmin durante evento da XXV Marcha dos Prefeitos em Brasília | Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebido com apoio e vaias em sua chegada à Marcha dos Prefeitos em Brasília, nesta terça-feira (21). Cerca de cinco mil pessoas participam do evento com prefeitos de municípios de todas as regiões do país.

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O primeiro a discursar foi o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, que pediu aos prefeitos para não se manifestarem politicamente.

O chefe da CNM afirmou que era um evento de interesse municipal e não de "esquerda ou direita", e que Lula, ministros, e presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), eram convidados da CNM para a marcha.

"Eu já, desde logo, chamo muita atenção que nesse plenário nós temos que primar pelo respeito das nossas autoridades, nós não estamos aqui para a disputa de direita, de centro e de esquerda", disse.

"Aqui estão os municípios do Brasil representados pelos prefeitos e prefeitas. Peço encarecidamente ao plenário que aqui não haja vaias. Nós estamos recebendo convidados. [...] É um apelo que faço para que esse plenário, que é integrado com todos os partidos de prefeitos e prefeitas", acrescentou o chefe da CNM.

Ziulkoski disse que fez um apelo ao presidente da República sobre o déficit nos cofres municipais, hoje em R$ 19 bilhões, além de outras medidas. Apesar do recado a Lula, o chefe da CNM afirmou que as mazelas das prefeituras são um acúmulo de outros governos dentro dos 12 anos de dados coletados pela CNM.

Em 2022, os municípios registravam R$ 69 bilhões em cofre, mas segundo o presidente da CNM, parte do déficit veio também de contas da pandemia que seguiram impactando os municípios mesmo após o fim da crise sanitária, quando também se encerraram os repasses extraordinários do governo federal aos estados e municípios em resposta aos impactos provocados pela covid-19.

A confederação apresentou, nessa segunda-feira (20), uma série de dados sobre falta de investimentos aos municípios. As pesquisas apontam que mais de um terço das cidades nunca recebeu recursos para prevenção de desastres ambientais.

Além disso, a pesquisa trouxe informações sobre déficits de habitação social e apontou que 5 milhões de pessoas foram afetadas por desastres ambientais entre 2013 e 2023, com prejuízos de R$ 639 bilhões.

Ziulkoski também saiu em defesa da desoneração da folha de pagamentos, um dos embates mais fortes do governo com o Congresso nos últimos meses. O Executivo quer um acordo mais ao meio termo para reonerar os impostos pagos por empresas (de 17 setores) e municípios.

Em meio aos pedidos, o presidente da CNM afirmou que os problemas dos municípios vêm se acumulando ao longo de mais de uma década.

"Isso [problemas dos municípios] vem se acumulando ao longo dos 12 anos avaliados pela CNM. O Rio Grande do Sul, só ele, tem R$ 647 milhões para receber. São muitas as nossas mazelas. Surgiu problema da reoneração e desoneração. Nós entramos com os 17 setores, com a emenda que prosperou, por que como um clube de futebol paga 5%, os filantrópicos não pagam nada, o Simples não paga nada, as igrejas não pagam. E o município ou uma empresa: por que nós, que prestamos serviço à sociedade, temos que pagar 22%?", disse.

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