Lula diz ter "obsessão" em provar que Estado pode ter serviços de saúde com qualidade igual ao setor privado
Presidente afirmou que parte da iniciativa privada tentou enfraquecer o SUS e defendeu investimentos em estrutura, tecnologia e pessoal


Jessica Cardoso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que sua "obsessão" é "provar" que o Estado pode oferecer serviços de saúde com qualidade igual ou superior aos da iniciativa privada.
"O povo não deve ser tratado de forma inferior a ninguém. E, [em] se tratando de saúde, o Estado tem obrigação de garantir a todos a mesma oportunidade. Quem tem dinheiro, paga quanto quiser, vai para outro lugar, se trata, faz plano de saúde. Quem não tem, é o Estado que tem que tratar. Esse é o papel do governo, seja ele municipal, seja estadual", afirmou.
O presidente deu as declarações durante visita ao Centro de Ensino, Simulação e Inovação (CESIN), no InCor do Hospital das Clínicas da USP. Na ocasião, também criticou as avaliações negativas sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).
"Participei da criação do SUS e sou testemunha visual de como esse SUS foi massacrado por gente que nunca utilizou o SUS, por gente de iniciativa privada que, ao invés de achar bom que o Estado estivesse investindo para dar cidadania ao povo mais humilde, fizeram do fundo o inimigo", disse.
Lula afirmou ainda que a melhoria da saúde pública depende de investimento contínuo em condições de trabalho e infraestrutura.
Ao relatar experiências antes e durante a Presidência, Lula afirmou conhecer a desigualdade no atendimento e disse ter uma "obsessão" pelo programa Agora Tem Especialistas, já que, segundo ele, o objetivo é garantir que "a mulher [e] o homem de qualquer origem social tenha o direito à máquina mais moderna", igual a que ele "utiliza como presidente da República".
Tratamento de câncer no SUS
Também durante o evento, Lula sancionou um projeto que prevê o acesso de pacientes do SUS a terapias avançadas no tratamento do câncer. A proposta, de autoria do Senado, havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em março.
O texto altera a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, sancionada em 2023, para prever a oferta, pela rede pública, de tecnologias avançadas, como medicamentos, equipamentos, procedimentos, vacinas e ferramentas de monitoramento da doença. A medida inclui imunoterapias de última geração no tratamento.









