Lula diz que Rubio é "bolsonarista" e "não gosta do Brasil"
Presidente voltou a criticar secretário de Estado durante balanço sobre queda no desmatamento ilegal, um dos motivos usados para aplicar tarifaço
Victor Schneider
Lula fala durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais | Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar nesta sexta-feira (7) o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, braço direito do presidente Donald Trump. Lula acusou Rubio de ser "bolsonarista", o que, na avaliação dele, explicaria o tarifaço e outras ações tomadas contra o Brasil. Além disso, o presidente voltou a fazer referência ao fato de o secretário ser filho de imigrantes cubanos, ao defender que Rubio é um "latino-americano frustrado".
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"Ele [Trump] tem um cidadão que não gosta do Brasil, da América Latina, e que é um bolsonarista, que é o secretário de Estado Marco Rubio. Eu disse para o Trump: esse moço não gosta do Brasil. Ele é um anti-latinoamericano, ou um antilatino-americano frustrado", disse o petista, em visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).
Lula recordou que teve reuniões proveitosas com Trump em diferentes ocasiões, incluindo uma bilateral na Malásia, em outubro de 2025, e na Casa Branca, em maio deste ano. Nessa última, Lula voltou a citar a entrega de documentos do governo brasileiro com dados sobre o combate ao narcotráfico e ao crime organizado no Brasil, áreas de cooperação em terras raras, balanços sobre o desmatamento, entre outras informações.
“Entreguei para ele dizendo que o Brasil não tem veto aos Estados Unidos ou preferência pela China ou França. O Brasil quer trabalhar com todos em condições de igualdade. Quem quiser fazer investimento no Brasil, fazer fábrica, explorar, transformar e trazer tecnologia, eu e o [vice-presidente Geraldo] Alckmin estaremos no aeroporto para receber de braços abertos. O que nós não queremos é que o Brasil vire mero exportador de uma riqueza que não é nossa, é do povo”.
Porém, apesar da manutenção da mesa de diálogos com o governo americano, Lula disse que um consenso não foi possível por interferência do secretário de Estado.
Nesta sexta (7), Lula esteve no Inpe para acompanhar a divulgação sobre os dados de desmatamento no país. O balanço do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), que contabiliza os alertas de desmatamento no curto prazo, e do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que consolida as informações, mostraram que houve queda em todos os biomas.
Conforme o Deter, no período de agosto de 2025 a julho de 2026, o desmatamento caiu 36,87% na Amazônia e 7,8% no Cerrado. No acumulado do Prodes, a queda foi de 20,1% em todo o país, incluindo de 41,7% no Pampa e 34,4% na Caatinga, no melhor resultado desde o início da série histórica há 10 anos.
O uso de materiais provenientes do desmatamento ilegal foi uma das justificativas usadas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) para aplicar a tarifa de 25% a produtos brasileiros. Lula ironizou ao pedir que os gráficos fossem registrados para enviar à Casa Branca. “Eu quero tirar uma fotografia para mandar para o Trump", brincou.
“O que me deixou estarrecido é que o argumento da nossa tarifa não é verdadeiro outra vez. Ele diz que está colocando tarifa no Brasil porque a gente não cuida do desmatamento”, disse o presidente.
"Por isso que eu vim aqui: para mostrar que ninguém, nem os Estados Unidos, leva a sério a questão climática como leva o Brasil. Ninguém. E eu já vi depoimento dele na ONU dizendo que não acredita nisso, que é tudo mentira. Não é que eu ouvi alguém falar, eu vi, porque estava sentado ouvindo ele falar”, completou.
Lula também criticou o segundo tarifaço, de 12,5%, aplicado ao Brasil e a um grupo de outros 59 países pelo que os EUA consideram ser falhas no combate ao comércio de produtos com uso de trabalho forçado. Para o presidente, a ação foi uma tentativa direta de coagir o comércio com a China, mas não havia nada a ser feito.
“Eu não sou ministro do Trabalho de outro país, delegado de polícia, fiscal. Eu compro as coisas dos produtos que querem vender de acordo com as necessidades do Brasil. Então eu estranhei".
Crise Brasil-EUA
A tensão diplomática entre Brasil e EUA subiu mais um degrau nesta sexta depois de o governo americano cortar a cota de açúcar brasileiro que pode entrar no país com tarifa reduzida. Além disso, o Senado dos EUA aprovou a indicação de Daniel Pérez como embaixador no Brasil, em meio à rejeição do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti.
O Itamaraty ainda precisa dar o aceite oficial (agrément) para a nomeação, mas há resistência pelo temor de que Pérez atue para questionar as eleições brasileiras. A negativa ao visto de Viotti foi a maneira da chancelaria americana demonstrar seu protesto com a demora, enquanto a parte brasileira diz que os EUA descumpriram o rito tradicional da diplomacia de apresentar o nome escolhido antes de prosseguir com a indicação.
Lula diz que Rubio é "bolsonarista" e "não gosta do Brasil"Presidente voltou a criticar secretário de Estado durante balanço sobre queda no desmatamento ilegal, um dos motivos usados para aplicar tarifaço
Política2026-08-07T21:29:45.936ZO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar nesta sexta-feira (7) o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, braço direito do presidente Donald Trump. Lula acusou Rubio de ser "bolsonarista", o que, na avaliação dele, explicaria o tarifaço e outras ações tomadas contra o Brasil. Além disso, o presidente voltou a fazer referência ao fato de o secretário ser filho de imigrantes cubanos, ao defender que Rubio é um "latino-americano frustrado". "Ele [Trump] tem um cidadão que não gosta do Brasil, da América Latina, e que é um bolsonarista, que é o secretário de Estado Marco Rubio. Eu disse para o Trump: esse moço não gosta do Brasil. Ele é um anti-latinoamericano, ou um antilatino-americano frustrado", disse o petista, em visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP). Lula recordou que teve reuniões proveitosas com Trump em diferentes ocasiões, incluindo uma bilateral na Malásia, em outubro de 2025, e na Casa Branca, em maio deste ano. Nessa última, Lula voltou a citar a entrega de documentos do governo brasileiro com dados sobre o combate ao narcotráfico e ao crime organizado no Brasil, áreas de cooperação em terras raras, balanços sobre o desmatamento, entre outras informações. “Entreguei para ele dizendo que o Brasil não tem veto aos Estados Unidos ou preferência pela China ou França. O Brasil quer trabalhar com todos em condições de igualdade. Quem quiser fazer investimento no Brasil, fazer fábrica, explorar, transformar e trazer tecnologia, eu e o [vice-presidente Geraldo] Alckmin estaremos no aeroporto para receber de braços abertos. O que nós não queremos é que o Brasil vire mero exportador de uma riqueza que não é nossa, é do povo”. Porém, apesar da manutenção da mesa de diálogos com o governo americano, Lula disse que um consenso não foi possível por interferência do secretário de Estado. Nesta sexta (7), Lula esteve no Inpe para acompanhar a divulgação sobre os dados de desmatamento no país. O balanço do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), que contabiliza os alertas de desmatamento no curto prazo, e do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que consolida as informações, mostraram que houve queda em todos os biomas. Conforme o Deter, no período de agosto de 2025 a julho de 2026, o desmatamento caiu 36,87% na Amazônia e 7,8% no Cerrado. No acumulado do Prodes, a queda foi de 20,1% em todo o país, incluindo de 41,7% no Pampa e 34,4% na Caatinga, no melhor resultado desde o início da série histórica há 10 anos. O uso de materiais provenientes do desmatamento ilegal foi uma das justificativas usadas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) para aplicar a tarifa de 25% a produtos brasileiros. Lula ironizou ao pedir que os gráficos fossem registrados para enviar à Casa Branca. “Eu quero tirar uma fotografia para mandar para o Trump", brincou. “O que me deixou estarrecido é que o argumento da nossa tarifa não é verdadeiro outra vez. Ele diz que está colocando tarifa no Brasil porque a gente não cuida do desmatamento”, disse o presidente. "Por isso que eu vim aqui: para mostrar que ninguém, nem os Estados Unidos, leva a sério a questão climática como leva o Brasil. Ninguém. E eu já vi depoimento dele na ONU dizendo que não acredita nisso, que é tudo mentira. Não é que eu ouvi alguém falar, eu vi, porque estava sentado ouvindo ele falar”, completou. Lula também criticou o segundo tarifaço, de 12,5%, aplicado ao Brasil e a um grupo de outros 59 países pelo que os EUA consideram ser falhas no combate ao comércio de produtos com uso de trabalho forçado. Para o presidente, a ação foi uma tentativa direta de coagir o comércio com a China, mas não havia nada a ser feito. “Eu não sou ministro do Trabalho de outro país, delegado de polícia, fiscal. Eu compro as coisas dos produtos que querem vender de acordo com as necessidades do Brasil. Então eu estranhei". Crise Brasil-EUA A tensão diplomática entre Brasil e EUA subiu mais um degrau nesta sexta depois de o governo americano cortar a cota de açúcar brasileiro que pode entrar no país com tarifa reduzida. Além disso, o Senado dos EUA em meio à rejeição do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti. O Itamaraty ainda precisa dar o aceite oficial (agrément) para a nomeação, mas há resistência pelo temor de que Pérez atue para questionar as eleições brasileiras. A negativa ao visto de Viotti foi a maneira da chancelaria americana demonstrar seu protesto com a demora, enquanto a parte brasileira diz que os EUA descumpriram o rito tradicional da diplomacia de apresentar o nome escolhido antes de prosseguir com a indicação. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/lula-diz-que-rubio-e-bolsonarista-e-nao-gosta-do-brasil