Política

Lula diz que não vai sofrer "humilhação" de ligar para Trump

Presidente diz que norte-americano não está disposto a dialogar; Lula ressalta, no entanto, que não vai desistir de negociações comerciais

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com informações da Reuters , SBT News
06/08/2025, 19:12 • Atualizado em 07/08/2025, 00:48
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (6), em entrevista à agência Reuters, que não vê espaço para negociações diretas com o presidente dos EUA, Donald Trump, em meio a aplicação das tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros.

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Segundo o presidente, o Brasil não pretende anunciar tarifas recíprocas e não vai desistir das negociações comerciais, mesmo admitindo que não há, no momento, interlocução. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, está tentando negociar, assim como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. "O que nós não estamos encontrando é interlocução", acrescentou.

No entanto, ele mesmo não tem pressa e, por enquanto, nem mesmo intenção de ligar para Trump.

"Pode ter certeza de uma coisa: o dia que a minha intuição me disser que o Trump está disposto a conversar, eu não terei dúvida de ligar para ele. Mas hoje a minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar", disse.

Apesar das exportações brasileiras enfrentarem uma das maiores tarifas impostas por Trump, as novas barreiras comerciais dos EUA não deverão causar prejuízos tão drásticos à maior economia da América Latina. O que garante ao presidente brasileiro mais fôlego para marcar uma posição mais dura contra o presidente norte-americano do que a maioria dos líderes ocidentais.

"Se os Estados Unidos não querem comprar, nós vamos procurar outro para vender; se a China não quiser comprar, nós vamos procurar outro para vender. Se qualquer país que não quiser comprar, a gente não vai ficar chorando que não quer comprar, nós vamos procurar outros", disse, lembrando o quanto o comércio internacional do Brasil cresceu nas últimas décadas.

Hoje, o comércio com os Estados Unidos representa 12% da balança comercial brasileira, contra quase 30% da China.

Lula descreveu as relações entre os EUA e o Brasil como no ponto mais baixo em 200 anos, depois que Trump vinculou a nova tarifa à sua exigência de fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe de Estado, derrotado nas eleições de 2022.

No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) que está julgando o caso contra Bolsonaro, "não se importa com o que Trump diz e nem deveria", disse Lula. O presidente também disse que Bolsonaro deveria enfrentar outro julgamento por provocar a intervenção de Trump, chamando o ex-presidente de "traidor da pátria".

"Essas atitudes antipolíticas, anticivilizatórias, é que colocam problemas numa relação, que antes não existia. Nós já tínhamos perdoado a intromissão dos Estados Unidos no golpe de 1964. Mas essa não é uma intromissão pequena, é o presidente da República dos Estados Unidos achando que pode ditar regras para um país soberano como o Brasil. É inadmissível", disse Lula.

Ao admitir que as negociações estão difíceis, o presidente disse que o foco de seu governo agora é nas medidas compensatórias para diminuir o impacto econômico das tarifas dos EUA, mantendo ao mesmo tempo a responsabilidade fiscal.

"Nós temos que criar condições de ajudar essas empresas. Nós temos a obrigação de cuidar da manutenção dos empregos das pessoas que trabalham nessas empresas. Nós temos a obrigação de ajudar essas empresas a procurar novos mercados para os produtos delas. E nós temos a preocupação de convencer os empresários americanos a brigarem com o Presidente Trump para que possam flexibilizar", afirmou, sem dar detalhes das medidas que serão anunciadas ainda esta semana.

Ele também disse que planeja telefonar para líderes do grupo Brics de países em desenvolvimento, começando pela Índia e pela China, para discutir a possibilidade de uma resposta conjunta às tarifas dos EUA.

Lula também descreveu planos para criar uma nova política nacional para os recursos minerais estratégicos do Brasil, tratando-os como uma questão de "soberania nacional" para romper com um histórico de exportações de minerais que agregavam pouco valor ao Brasil.

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