Política

Lula critica ameaça de taxação de Trump ao Brics e cobra assento permanente para Brasil e Índia em conselho da ONU

Em encontro com o premiê indiano, Narendra Modi, presidente diz que países são soberanos e não aceitam "intromissão de quem quer que seja"

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Jessica Cardoso
08/07/2025, 19:12 • Atualizado em 09/07/2025, 00:35
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou novamente nesta terça-feira (8) a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de taxar países do Brics. Também voltou a defender que Brasil e Índia tenham assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), durante encontro bilateral com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

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"Não aceitamos nenhuma reclamação contra a reunião do Brics. Por isso, não concordamos quando ontem o presidente dos EUA insinuou que vai taxar os países dos Brics. Queremos fazer com que nossos países possam sobreviver. Por isso, queremos dizer que somos países soberanos. Não aceitamos intromissão de quem quer que seja no jeito que cuidamos do nosso povo", afirmou Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília.

Ao lado de Modi, o presidente destacou que "é inaceitável que países do porte da Índia e do Brasil não ocupem assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU" e defendeu maior inclusão dos países emergentes na governança global.

Os líderes assinaram acordos de cooperação em áreas como segurança, energia renovável e transformação digital. Lula também condecorou Modi com o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, maior honraria brasileira concedida a estrangeiros.

Em seu discurso, o brasileiro também disse ser uma "enorme satisfação" receber o líder indiano e destacou que os dois países “superlativos” como Brasil e Índia não podem permanecer distantes. Segundo ele, a solidez das democracias, a diversidade cultural e a força econômica aproximam as duas nações.

O presidente afirmou que Brasil e Índia são aliados naturais no combate à fome, à pobreza e às mudanças climáticas, agradecendo a participação indiana na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Lula também destacou a contribuição da Índia para a pecuária brasileira, já que 90% do rebanho zebuíno nacional tem origem indiana. Segundo ele, o novo acordo entre a Embrapa e o Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola impulsionará a inovação na produção de alimentos.

O presidente ponderou, no entanto, que o comércio bilateral de US$ 12 bilhões é insuficiente para o tamanho das economias e afirmou que a meta é triplicar esse valor no curto prazo.

Ele defendeu ainda a ampliação do acordo Mercosul-Índia, que atualmente cobre apenas 14% das exportações brasileiras ao país asiático. Também agradeceu a abertura recente do mercado indiano para o frango e o algodão brasileiro.

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