Política

Lula comenta taxa de juros em 10,5% ao ano: "Uma pena. Quem está perdendo é o povo brasileiro"

Presidente voltou a criticar Roberto Campos Neto e autonomia do Banco Central em entrevista à Rádio Verdinha, do Ceará

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Raphael Felice
20/06/2024, 16:06 • Atualizado em 21/06/2024, 00:24
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Lula concede entrevista no Ceará | Reprodução

Lula concede entrevista no Ceará | Reprodução

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,5% ao ano. Em entrevista à Rádio Verdinha, de Fortaleza (CE), o chefe do Executivo voltou a criticar o mercado financeiro e afirmou que o freio na redução da Selic prejudica o povo brasileiro. O Copom é formado pela diretoria e pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, que tem sido alvo constante de críticas do petista.

"Neste país, os créditos são feitos pela Caixa, pelo Banco do Brasil, pelo BNB e pelo BNDES. Os grandes bancos (privados) preferem, ao invés de fazer crédito, ganhar dinheiro com a alta taxa de juros em 10,5%. Foi uma pena que o Copom manteve, porque quem está perdendo com isso é o povo brasileiro. Quanto mais a gente pagar em juro, menos dinheiro a gente tem para investir aqui dentro", disse Lula.

O presidente também voltou a criticar a autonomia de Roberto Campos Neto. O chefe do Executivo também trouxe dados sobre a renúncia de arrecadação e o valor pago em juros pelo governo por conta de fatores como a Selic e a desoneração da folha de pagamentos.

"O [Henrique] Meirelles [ex-presidente do BC] tinha autonomia comigo, como esse rapaz tem, mas o Meirelles, eu tinha o poder de tirar, como o Fernando Henrique [Cardoso, ex-presidente da República] tinha na época dele. Mas entenderam que o presidente do Banco Central tinha que ser independente, que o Banco Central tinha que ser independente e ter autonomia. Autonomia para atender e servir a quem?", indagou o presidente.

"Só de juros, no ano passado, foram R$ 790 bilhões que a gente pagou. Só de desoneração, foram R$ 536 bilhões que a gente deixou de receber. E, toda vez que vamos discutir corte, a imprensa questiona. Quando vai aumentar salário mínimo é gasto, aumentar salário de professor é gasto, mas porque não transformamos em gasto a taxa de juros que pagamos", concluiu.

Lula ainda voltou a questionar o mercado sob a ótica social. Na avaliação do chefe do poder Executivo, o setor financeiro não se preocupa com as pessoas mais pobres por não reagir ao aumento da pobreza.

"Eu não vejo o mercado falar dos moradores de rua, do catador de papel, do desempregado, das pessoas que necessitam do Estado. Quem necessita do Estado é o povo trabalhador, é a classe média, que é quem paga imposto nesse país. [...] Nós queremos elevar um pouco o padrão de vida das pessoas humildes para que ele se transforme em um padrão de consumo de classe média, mas os que estão em cima não querem que os que estão embaixo subam degraus na escada", concluiu Lula.

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