Lindbergh pede Bolsonaro na Papuda após confisco de arma
Deputado solicitou a Moraes revogação de domiciliar com impossibilidade de renovação após pistola do ex-presidente ser encontrada com agente do GSI


O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (17) que revogue a concessão de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro (PL) após uma pistola registrada no nome do ex-presidente ter sido apreendida no início da semana com um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Bolsonaro está cumprindo a pena de 27 anos e 3 meses de prisão em casa por autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator do seu processo, desde 27 de março, enquanto se recupera plenamente de uma broncopneumonia e de uma cirurgia no ombro. O prazo de 90 dias da domiciliar termina na próxima semana, no dia 25.
Antes de ser transferido para a residência no Jardim Botânico, bairro de Brasília, Bolsonaro vinha cumprindo a pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. O espaço está inserido no Complexo Penitenciário da Papuda, principal presídio de Brasília.
Em peça enviada a Moraes, Lindbergh diz que Bolsonaro violou os termos que permitiam sua permanência em casa. “A prisão domiciliar exige relação de confiança. Para além do cumprimento burocrático de ordens escritas, demanda comportamento compatível com a finalidade da medida. Quem recebe o benefício de cumprir pena em casa deve eliminar, e não preservar, situações de risco incompatíveis com a custódia”.
O deputado pede que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o descumprimento das normas e a revogação da domiciliar com impossibilidade de renovação. Também solicita que o Exército informe se existem outros registros de armas, munições e acessórios vinculados ao nome de Bolsonaro.
Arma confiscada
Uma blitz da Polícia Militar em Taguatinga, bairro de Brasília, apreendeu na noite de segunda-feira (15) uma pistola Glock junto a um sargento do Exército cedido ao GSI. A arma estava no assoalho do carro. De início, o sargento disse que a pistola era sua, mas admitiu ser de Bolsonaro posteriormente.
Moraes cobrou explicações sobre o episódio. Em resposta, a defesa do ex-presidente disse que o armamento estava devidamente registrado e tinha sido inutilizado por precaução, já que Bolsonaro faz uso de medicações psiquiátricas que podem afetar a sua cognição.
Ainda conforme os advogados, a falta de uma das peças impedia o funcionamento do sistema de disparo. O problema teria sido percebido por Bolsonaro ao manusear o equipamento em casa, e por isso a pistola teria sido entregue ao sargento, que possui experiência com armamentos, para verificação da falha.















