Janja critica fala de enviado de Trump sobre brasileiras: “Não somos programadas para nada”
Paolo Zampolli disse que brasileiras são “raça maldita” e “programadas para causar confusão”; Ministério das Mulheres também repudiou falas


Jessica Cardoso
A primeira-dama Janja da Silva criticou, nesta sexta-feira (24), declarações do enviado especial do governo de Donald Trump, Paolo Zampolli, sobre mulheres brasileiras. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que “não somos programadas para nada” e rebateu falas consideradas ofensivas feitas pelo empresário em entrevista recente.
“É impossível não se indignar diante da fala do enviado especial para parcerias globais de Donald Trump, Paolo Zampolli [...] As mulheres brasileiras, com muita força e coragem, rompem, diariamente, ciclos de violência e de silenciamento”, escreveu.
A primeira-dama continuou afirmando que a reação coletiva à declaração do norte-americano fortalece o enfrentamento à violência de gênero no país.
“Na indignação, nos fortalecemos. Nos unimos para combater o machismo, a misoginia, o feminicídio e toda forma de violência contra nós”, disse.
As declarações ocorrem após Zampolli, um dos enviados especiais para parcerias globais do governo dos Estados Unidos, fazer comentários ofensivos sobre brasileiras em entrevista à rádio italiana RAI.
Na ocasião, ele afirmou que mulheres brasileiras seriam “prostitutas” e uma “raça maldita”, além de dizer que foram “programadas para causar confusão”.
Zampolli foi casado por quase 20 anos com a modelo brasileira Amanda Ungaro. Ela foi deportada dos Estados Unidos em outubro do ano passado após ser detida pelo serviço de imigração do país (ICE) e afirma que a medida teria ocorrido com influência do ex-companheiro.
O ex-casal disputa na Justiça norte-americana a guarda do filho de 15 anos. Ungaro também acusa Zampolli de agressão física, psicológica e sexual. Ele nega.
Ministério das Mulheres também reage
Em nota, o Ministério das Mulheres repudiou veementemente as declarações de Zampolli e afirmou que as falas “reforçam um discurso de ódio e desvalorizam as mulheres do país, em afronta à dignidade e ao respeito”.
O órgão também disse que a misoginia não constitui opinião e “não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão”.
Leia a íntegra da nota:
“O Ministério das Mulheres repudia veementemente a declaração ofensiva proferida pelo assessor especial do governo dos Estados Unidos, Paolo Zampolli, contra meninas e mulheres brasileiras. O assessor fez afirmações que reforçam um discurso de ódio e desvalorizam as mulheres do país, em afronta à dignidade e ao respeito.
A misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa. Nesse sentido, o Ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão.
O Governo do Brasil reafirma seu compromisso com a promoção dos direitos das mulheres e com o enfrentamento de todas as formas de violência de gênero e raça, incluindo a misoginia, reconhecida como fator de risco para a escalada de agressões que podem culminar em feminicídio.
O Ministério das Mulheres seguirá atuando para assegurar a proteção de meninas e mulheres, bem como na promoção de uma sociedade baseada no respeito, na igualdade e na justiça.”








