Família egípcia retida há 16 dias no Aeroporto de Guarulhos (SP) denuncia falta de auxílio médico
Egípcios aguardam decisão sobre pedido de refúgio; defesa afirma que gestante teve atendimento médico negado pelas autoridades


SBT News
Uma família de egípcios está retida há 16 dias no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, aguardando a aprovação de um pedido de refúgio para entrar no Brasil.
O jovem Abdallah chegou com a mulher gestante e dois filhos pequenos. Segundo a defesa, a situação se se agravou porque a refugiada está no final da gravidez, e nesta quinta-feira (24) reclamou às autoridades do aeroporto que o bebê não estava se mexendo. A família solicitou auxílio médico, mas segundo Abdallah o pedido foi negado.
A defesa sustenta que o caso apresenta claros elementos de violação humanitária, especialmente diante da condição de saúde da gestante, que se encontra na 34ª semana de gravidez e sofre de diabetes gestacional — quadro que exige acompanhamento médico contínuo e pode impactar diretamente a saúde do feto.
Soma-se a isso o fato de que uma das crianças possui intolerância à lactose. Segundo a defesa, a alimentação atualmente disponível no local não é adequada às necessidades da família.
“Estamos diante de um caso que exige uma resposta humanitária imediata. Não se trata apenas de um debate burocrático sobre ingresso no território nacional, mas de uma situação concreta que envolve vida, saúde e dignidade humana”, afirma o advogado Willian Fernandes.
“Há uma gestante na 34ª semana, com quadro clínico que exige acompanhamento constante, além de crianças em condição de vulnerabilidade, inclusive com restrições alimentares que não estão sendo atendidas. A manutenção dessa situação por tantos dias, sem uma solução efetiva, é algo que precisa ser revisto com urgência”, acrescenta.
A defesa já solicitou urgência na análise do pedido de refúgio diretamente ao governo federal, além de acionar instituições e entidades da sociedade civil que atuam na proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade, e aguarda uma resposta das autoridades.
O advogado também destacou que Abdallah possui histórico de trânsito internacional regular, com concessão de vistos por diferentes países, inclusive com rigorosos critérios migratórios, o que reforça a ausência de elementos concretos que indiquem risco à segurança.
Para Paulo Illes, diretor do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), “trata-se de um caso humanitário evidente".
"A manutenção dessa família em área de restrição por tantos dias, especialmente com uma gestante e crianças, é incompatível com os princípios básicos de proteção à dignidade humana. O Brasil tem tradição de acolhimento e compromissos internacionais que precisam ser respeitados na prática”, afirma.
Até o momento, a Polícia Federal não se manifestou sobre o caso. O SBT News também entrou em contato com a administração do Aeroporto Internacional de São Paulo e aguarda um posicionamento.








