Política

Itamaraty cita ‘traidores’ por tarifaço em indireta a Flávio

Declaração em tom forte da chancelaria brasileira acontece após pedido de Flávio Bolsonaro para falar contra sobretaxa em audiência nos EUA

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Palácio do Itamaraty, em Brasília | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Palácio do Itamaraty, em Brasília | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Itamaraty publicou nas redes sociais no fim da tarde desta quarta-feira (24) uma declaração de forte tom contra as investigações comerciais dos Estados Unidos que podem levar à aplicação de duas rodadas de tarifaços sobre exportações brasileiras.

Segundo a chancelaria brasileira, as sobretaxas “têm sua origem em uma tentativa de interferência externa” na Justiça do Brasil, em uma referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu para participar de uma audiência pública em 6 de julho, em Washington, para tentar reverter a punição. O senador esteve com o presidente Donald Trump pouco antes do anúncio do tarifaço junto ao irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro e ao jornalista Paulo Figueiredo.

“Os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história. O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira. [...] O que os traidores da Pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros”, disse o Itamaraty em publicação no X.
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Os termos são incomuns para uma declaração a nível diplomático no Brasil.

As sobretaxas ainda não estão em vigor. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) abriu prazo de um mês para que o Brasil se manifestasse sobre duas investigações: uma que propõe tarifa de 25% por práticas comerciais desleais, como o Pix, pirataria e uso de materiais provenientes do desmatamento ilegal; e uma de 12,5% por falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão.

As investigações estão contempladas dentro da chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo permite ao governo americano adotar medidas contra práticas consideradas injustas ou discriminatórias no comércio internacional.

O Itamaraty, porém, diz que a audiência pública é voltada ao setor privado e à sociedade civil, e que outros parceiros comerciais dos EUA, como China e a União Europeia, não têm costume de enviar representantes pessoalmente a esse tipo de sessão. A chancelaria diz que dialoga com o governo americano por “canais diretos” de interlocução e que já apresentou duas defesas em documentos por escrito contra as taxações, além de ter se encontrado com autoridades americanas em Washington.

Flávio Bolsonaro

Como mostrou o SBT News, Flávio pediu para ser ouvido na audiência pública que será realizada pelo governo americano antes da decisão final sobre o tarifaço. Na carta enviada ao USTR, o senador diz que “pretende testemunhar contra as tarifas e a favor de uma solução negociada”.

Ele afirma ainda que “se opõe a qualquer medida contra o Pix”. O pedido é de uma fala com duração de cinco minutos, que é o tempo padrão de testemunhos nessas audiências. Flávio solicita ser ouvido como senador e candidato à Presidência.

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