Política

'Inadmissível': governistas condenam aprovação da urgência do projeto da anistia na Câmara

Placar foi de 311 votos a favor, 163 contra e 7 abstenções; decisão torna mais ágil a tramitação do texto, que não terá de passar por comissões

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Sofia Pilagallo
18/09/2025, 03:01 • Atualizado em 18/09/2025, 03:01
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Congresso Nacional  | Foto: Fabiana Domingues de Lima/Wikimedia Commons

Congresso Nacional | Foto: Fabiana Domingues de Lima/Wikimedia Commons

Lideranças políticas condenaram a aprovação da urgência do projeto da anistia, votado na Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (17). O placar foi de 311 votos a favor, 163 contra e 7 abstenções. Na prática, isso significa que a tramitação da anistia será mais ágil, sem passar por comissões.

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O deputado federal Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, afirmou que a urgência do projeto de anistia "é uma rendição a uma turma que não quer a pacificação do país", em referência a uma declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

No X (antigo Twitter), ele justificou a votação sob o argumento de que "o Brasil precisa de pacificação" e que, por haver "visões distintas" sobre o assunto na Casa, caberia ao plenário decidir.

"É uma rendição a uma turma que não quer pacificação do país. Eles disseram: nos entregam anistia ou não haverá paz no Brasil", afirmou Farias. "O momento nos exige coragem em defesa da democracia e não covardia diante dos chantagistas e golpistas!"

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) classificou a decisão como uma "vergonha para o Congresso" e mandou recado aos envolvidos: "Aguardem a resposta dos brasileiros." No mesmo tom, a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) afirmou que "o povo brasileiro dará uma resposta à aliança entre o golpismo e os corruptos" e reforçou: "Sem anistia!"

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) lamentou "mais uma noite de derrota para o nosso país", que, na mesma semana, viu o Congresso aprovar a PEC da Blindagem e, agora, a urgência do projeto da anistia. Aprovada em dois turnos pelo plenário da Câmara, na terça-feira, o texto altera a Constituição para estabelecer proteções legais a parlamentares.

"O recado dos deputados do centrão e da extrema-direita é claro: eles estão dando um foda-se pra justiça, pro Estado Democrático de Direito e para o POVO brasileiro", escreveu Erika.

"Querem implementar, no nosso país, um sistema de castas. Querem que políticos possam roubar dinheiro público, agredir, estuprar e matar quem bem entenderem sem nunca serem investigados ou punidos por isso", acrescentou.

Em vídeo publicado no X (Twitter), a deputada Tabata Amaral (PSB) classificou a votação desta quarta-feira como um "escárnio" e afirmou que "golpismo não é opinião", mas sim um crime". Ela disse, ainda, que os políticos eleitos pelo povo brasileiro devem ter um compromisso com a constituição, independentemente de seu espectro ideológico. O projeto da anistia é apoiado exclusivamente pela extrema direita, em especial aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Bolsonaristas comemoram

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), uma das principais lideranças bolsonaristas, comemorou a decisão nas redes sociais. Ele publicou um vídeo em que aparece de mãos dadas com outros deputados, enquanto rezavam o Pai Nosso e agradeciam pelo resultado. Na legenda, escreveu: "Senhor, nos ajude. Iremos até o fim."

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, parabenizou os deputados pela vitória e reforçou a importância de perseguir a aprovação de uma "anistia ampla, geral e irrestrita". Na mesma linha argumentativa de outros aliados do pai, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que bate na tecla da "pacificação", ele disse que "somente assim conseguiremos pacificar o Brasil".

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