Haddad é escalado para viagem de Lula aos EUA e adia saída do governo outra vez
Em meio à pressão para ser candidato, ministro da Fazenda queria deixar cargo ainda em fevereiro


Eduardo Gayer
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi escalado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para acompanhá-lo na viagem que fará aos Estados Unidos, em março. Com isso, o chefe da equipe econômica adiou mais uma vez a sua saída do governo, antes prevista para fevereiro.
A expectativa para Haddad deixar a pasta se dá em meio a dúvidas sobre uma eventual candidatura a governador de São Paulo — cenário preferido de Lula e do PT, mas rechaçado pelo ministro. As conversas devem se estender ao longo das próximas semanas.
De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, Haddad é peça-chave na visita de Lula ao presidente americano, Donald Trump, já que Brasil e Estados Unidos negociam um acordo de cooperação na área de combate à lavagem de dinheiro. A pauta da segurança pública deve ser um dos pilares da disputa eleitoral deste ano.
Foi o próprio Haddad quem defendeu que o tema fosse levado à Casa Branca. No fim do ano passado, dono da Refinaria de Manguinhos, Ricardo Magro, que vive em Miami, foi alvo de operação da PF por suposta sonegação de impostos na ordem de R$ 26 bilhões.
Lula deve defender junto a Trump a extradição do empresário para responder ao processo na Justiça brasileira. De acordo com as investigações, ele também é suspeito de utilizar offshores em Delaware, um paraíso fiscal americano, para lavagem de dinheiro. Ele nega envolvimento em atividades ilícitas.
O ministro da Fazenda pretendia deixar a pasta no início de fevereiro, mas adiou os planos após ser convocado para a viagem oficial de Lula à Índia e à Coreia do Sul. Agora, terá de postergar outra vez, em razão da visita aos Estados Unidos.








