Política

Habeas corpus, bate-boca e pedido de prisão marcam depoimento de Alessandro Stefanutto à CPMI do INSS

Ex-presidente do INSS, indicado por Lula, fala a parlamentares nesta segunda-feira; ele nega participação nas fraudes contra aposentados e pensionistas

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Hariane Bittencourt
13/10/2025, 21:42 • Atualizado em 14/10/2025, 00:34
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O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, presta depoimento nesta segunda-feira (13) à CPMI do INSS. A sessão, que começou com cerca de uma hora de atraso, foi marcada por uma série de bate-bocas, pedidos de suspensão e até de prisão.

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Mais cedo, Stefanutto conseguiu um habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe concedeu o direito de ficar calado diante das perguntas que o pudessem incriminar. Ainda assim, na condição de testemunha, ele decidiu responder à maioria das perguntas dos parlamentares. “Vou falar, claro”, disse na chegada ao Senado.

A tensão, no entanto, começou quando o relator, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), iniciou sua rodada de perguntas ao depoente. Stefanutto se negou a responder o questionamento, alegando já ter sido previamente julgado pelo relator, o que motivou uma discussão e a suspensão da sessão por cinco minutos. A cena se repetiu logo depois, quando os dois protagonizaram um embate com direito à dedo em riste.

“Me respeite rapaz! Sendo você o cabeça do maior roubo de aposentados e pensionistas”, afirmou o relator, sendo rebatido por Stefanutto antes de a sessão ser suspensa pela segunda vez.

Após a discussão, o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) pediu a prisão do depoente. O pedido foi negado pelo presidente da comissão.

Durante o depoimento, Alessandro Stefanutto afirmou que recebeu o INSS, em julho de 2023, com uma série de problemas financeiros, econômicos e de pessoal. E que sempre esteve aberto ao diálogo durante sua gestão, tanto que recebeu parlamentares de oposição que pediam mutirões previdenciários em seus estados de origem. Ele também defendeu a atuação do instituto e de seus servidores.

Stefanutto ficou à frente do INSS até abril de 2025, quando foi afastado e depois exonerado com a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que revelou um esquema bilionário de desvios em aposentadorias e pensões.

Também prestaria depoimento, nesta segunda-feira (13), o ex-diretor de Benefícios do órgão, André Paulo Félix Fidelis. Fidelis, no entanto, apresentou um atestado médico e terá seu depoimento remarcado nos próximos dias.

Para a próxima quinta-feira (16) está confirmada a presença de Cícero Marcelino de Souza Santos, representante da Conafer, entidade suspeita de envolvimento nas fraudes.

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