Política

Grupo do centrão descarta candidatura de Tarcísio e dá Flávio como consolidado

Parlamentares dizem que, nesse cenário, tendência é de neutralidade de União, PP, Republicanos, PSD e MDB ou de candidaturas avulsas

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Ranier Bragon
26/01/2026, 19:10 • Atualizado em 26/01/2026, 19:10
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O senador Flávio Bolsonaro (à esq.) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freita (dir.) | Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (à esq.) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freita (dir.) | Saulo Cruz/Agência Senado

Parlamentares do centrão afirmam que já consideram irreversível a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, com a manutenção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na busca à reeleição em São Paulo.

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A mudança de ânimo de expoentes desse grupo –que era o principal sustentáculo da pressão para que Tarcísio fosse para a disputa presidencial– é um importante sinal na disputa dentro da direita sobre quem será o principal adversário de Lula (PT) nas eleições de outubro.

De acordo com esses parlamentares do centrão, que falaram na condição de anonimato, pesa nessa nova posição a avaliação de que os filhos de Bolsonaro e o próprio ex-presidente não confiam no centrão e em Tarcísio.

Nas palavras de um deles, "preferem perder com Flávio do que ganhar com Tarcísio".

Um deles disse ainda que Flávio teve um bom desempenho no teste de exposição nesses dois meses desde que anunciou sua pré-candidatura, subindo nas pesquisas eleitorais e atingindo patamares similares aos de Tarcísio em eventual segundo turno, ou seja, se mostrando um candidato competitivo.

Pesquisa Quaest divulgada no dia 14 (a primeira de 2026) mostra um cenário aproximado entre Flávio e Tarcísio. Em uma simulação de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto contra Tarcísio, que marcaria 39%. Já contra Flávio, o petista marca 45% contra 38%.

A rejeição de Flávio (55%) é bem maior que a de Tarcísio (43%), mas o senador viu o índice dos que dizem não votar nele de jeito nenhum cair de 60% para 55%, patamar similar ao de Lula (54%).

Com isso, avaliam integrantes do centrão, a tendência do grupo é se dividir no primeiro turno entre o lançamento de candidatos ou a neutralidade formal na disputa.

Isso significa que as alas dessas legendas estarão liberadas para, a depender de seus arranjos políticos locais e nacionais, subir nos palanques de Lula ou de Flávio.

Diretórios desses partidos (União, PP, Republicanos, PSD e MDB) no Norte e Nordeste se inclinam mais a Lula, diferentemente daqueles de Centro-Oeste, Sudeste e Sul, que são mais majoritariamente de direita.

Isso pode ser visto no MDB, por exemplo. Enquanto os grupos do governador Helder Barbalho (PA) e do senador Renan Calheiros (AL) tendem a se manter com Lula na disputa, os diretórios de Sul e Sudeste inclinam-se mais à direita.

Já as perspectivas sobre o que a consolidação de Flávio significa para o resultado das urnas são discrepantes. Há quem aponte que Lula se beneficia caso não cometa erros de articulação, enquanto outros dizem ver prognósticos mais favoráveis a Flávio.

É apontada também a possibilidade de Flávio se inviabilizar caso não seja bem sucedido na tentativa de se mostrar, em suas próprias palavras, o Bolsonaro "centrado" da família.

Nesse ponto, foi considerado por congressistas um erro crasso dessa pré-campanha o senador dizer que poderia colocar o irmão Eduardo como ministro das Relações Exteriores caso eleito.

Tarcísio deve visitar Jair Bolsonaro na Papaudinha nesta quinta-feira (29), ocasião em que aliados de Flávio esperam obter o movimento final para a consolidação do nome do parlamentar.

Caso Tarcísio decidisse disputar a Presidência, ele teria que renunciar ao governo de São Paulo até o início de abril. Os partidos têm até agosto para oficializar os nomes na disputa de outubro.

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