Foragido, Ramagem diz que foto com políticos foi em 2023
Ex-deputado afirma que encontro reuniu familiares e nega relação com esquema investigado pela PF

Willer Tomaz aparece ao centro, com o punho erguido. Ao fundo, estão Elmar Nascimento, Juscelino Filho, Arthur Lira e Paulo Azi. Weverton Rocha aparece sentado, com a mão levantada | Foto: Reprodução/Piauí
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) afirmou que a fotografia em que aparece ao lado de políticos e do advogado Willer Tomaz, investigado na Operação Sem Desconto, foi registrada em abril de 2023. Em publicação no X (antigo Twitter), Ramagem disse que o encontro ocorreu durante uma confraternização com esposas e filhos dos participantes e contou com a programação de um show de um cantor nacional.
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A foto foi encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo da investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS. Também aparecem na imagem Arthur Lira (PP), Juscelino Filho, Paulo Azi (União Brasil), além de outros políticos.
Na publicação, Ramagem afirmou que Tomaz é dono de um escritório que representa parlamentares de diferentes correntes políticas, empresas brasileiras e estrangeiras e o próprio artista que teria se apresentado no evento.
O ex-deputado também destacou a diversidade política dos participantes e disse que estava presente Arthur Lira, então presidente da Câmara, a quem afirma ter criticado publicamente quando considerou haver irregularidades ou decisões contrárias à direita.
"Não deixarei de contestar tudo que considero ser errado, seja contra a esquerda, o centro, a própria direita ou qualquer pessoa", escreveu.
Ramagem negou envolvimento em corrupção ou favorecimento e afirmou que as investigações contra ele fazem parte de uma tentativa de afastá-lo da vida pública. Ele está nos Estados Unidos e é considerado foragido da Justiça brasileira.
O que a PF investiga?
A Polícia Federal apura uma possível ligação entre Weverton Rocha e Willer Tomaz por meio de empresas, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis. Segundo os investigadores, a estrutura poderia ter sido usada para movimentar e ocultar recursos relacionados às fraudes no INSS.
Familiares do senador e pessoas ligadas ao advogado também foram alvo das medidas judiciais. A nova fase da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A presença dos políticos na fotografia, contudo, não significa participação no suposto esquema. Até o momento, as informações apresentadas não indicam que os demais nomes retratados sejam investigados na Operação Sem Desconto.
Por que Ramagem é considerado foragido?
Apesar de ter sido liberado pelas autoridades migratórias dos Estados Unidos, Alexandre Ramagem continua sendo considerado foragido da Justiça brasileira. A situação decorre da condenação do ex-deputado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por participação na trama de tentativa de golpe de Estado.
Ramagem deixou o Brasil clandestinamente em setembro do ano passado, pela fronteira com a Guiana, mesmo sob uma ordem judicial que o proibia de deixar o país. Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes determinou o pedido de extradição do ex-deputado aos Estados Unidos.
Segundo a Polícia Federal, Ramagem foi localizado em território americano com um passaporte parlamentar que havia perdido a validade após a cassação de seu mandato. O ex-diretor da Abin também teria utilizado o documento para comprar um carro em Orlando. A PF informou que colaborou com as autoridades migratórias americanas para localizar o ex-deputado.
A soltura de Ramagem, portanto, não significa que ele deixou de ser procurado pela Justiça brasileira. Ele permanece nos Estados Unidos e, até o momento, não há informação de que tenha retornado ao Brasil ou de que a decisão das autoridades migratórias americanas tenha alterado a condenação ou o pedido de extradição.















