Política

Ex-secretário vê chance de interferência externa na eleição

Welber Barral, que atuou na área de Comércio Exterior do governo brasileiro, falou ao SBT News sobre interrupção dos serviços da Embaixada dos EUA

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Roberta Russo, Renato Machado, André de Sena
Ex-secretário vê chance de interferência externa na eleição

O ex-secretário do Comércio Exterior do Brasil Welber Barral disse que a interrupção dos serviços da Embaixada e dos consulados dos Estados Unidos no território brasileiro pode ser um sinal de interferência nas eleições, mas ponderou que também existe a possibilidade de ser apenas uma medida da segurança. As afirmações foram feitas durante uma entrevista concedida ao SBT News nesta sexta-feira (2).

O governo dos Estados Unidos informou que orientou os funcionários de sua embaixada em Brasília e outros consulados espalhados pelo Brasil a trabalharem remotamente por questões de segurança, pois houve uma ameaça endereçada à sua missão diplomática em Brasília.

"Está havendo, sim, intervenção do governo norte-americano e do governo russo com relação às eleições brasileiras, tanto no que se refere a financiamento de grupos no Brasil, tanto no que se refere a financiamento de organizações do Brasil que seriam proibidas, inclusive, pela legislação eleitoral. Isso pode estar acontecendo", disse Barral, que é especialista em Direito Internacional.
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De acordo com ele, existe "uma política norte-americana de tentar fazer com que haja eleições mais à direita na América Latina."

"Houve intervenção norte-americana e financiamento de campanha na Colômbia, no Equador, no Chile. Isso já está demonstrado. Não há surpresa se isso acontecer no Brasil também. Agora, do ponto de vista bilateral, do Direito Internacional, é saber se o Brasil tem provas com relação a isso", explicou.

Apesar de alertar para o risco de interferência externa, o especialista não descartou a possibilidade de que se trate apenas de uma medida de segurança. "Eu não dramatizaria tanto, porque não é algo totalmente inédito", ponderou.

Processo eleitoral

Barral acredita que a solidez das instituições e do sistema eleitoral brasileiros ajudam a proteger o país de interferências externas. "As denúncias com relação à câmara de votação são muito mais teoria da conspiração de quem não concorda com o estado das eleições do que resultado das eleições brasileiras", discorreu.

"Ao longo desta semana, nós encontramos inclusive vários observadores internacionais da União Europeia, da ONU, da Unesco, da OEA, que vieram ao Brasil fiscalizar e verificar a situação das eleições brasileiras", acrescentou.

No entanto, ele pondera que mesmo assim podem haver fatores que desestabilizem o processo eleitoral. "Agora, o outro ponto, e o Brasil aí está desprotegido, é com a atuação de grupos mais radicais principalmente nas redes sociais. Então, seguramente nós já vimos e vamos ver proliferação de fake news, vamos ver proliferação de robôs dando likes em notícias falsas. E isso aí muitas vezes está financiado, inclusive, por potências estrangeiras", salientou.

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