Política

Estilo agressivo afasta mulheres de Flávio, diz especialista

CEO do Instituto IDEIA afirma que eleitoras priorizam propostas e resultados concretos; levantamento mostra Lula à frente com o público feminino

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André Barbeiro , Roberta Russo
08/07/2026, 16:54 • Atualizado em 08/07/2026, 16:54
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Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Edilson Rodrigues/Agência Senado

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Edilson Rodrigues/Agência Senado

O estilo mais agressivo adotado por Flávio Bolsonaro (PL) na pré-campanha tem afastado o eleitorado feminino e dificultado o desempenho do senador na corrida ao Palácio do Planalto. A avaliação é da CEO do Instituto IDEIA, Cila Schulman, ao comentar, em entrevista ao Radar News, os resultados da pesquisa Meio/IDEIA divulgada nesta quarta-feira (8), que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente de Flávio em um eventual segundo turno.

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Segundo o levantamento, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% de Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno — um empate técnico no limite da margem de erro de 2,5 pontos percentuais. No primeiro turno, o petista registra 40,4%, enquanto o senador soma 32%.

Na avaliação de Cila Schulman, a principal dificuldade do senador está na relação com o eleitorado feminino.

"Eu diria que o jeito mais agressivo de fazer campanha repele as mulheres. Flávio tem dificuldade com as mulheres. Se as eleições fossem hoje e só as mulheres votassem, Lula venceria", afirmou.

Para a especialista, as eleitoras estão mais interessadas em propostas concretas do que em disputas polarizadas. "As mulheres querem protagonismo, querem propostas. É um momento de dificuldade para o Flávio, por conta do caso Michelle", disse, em referência ao desgaste provocado pelo recente conflito público envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Cila também destacou que as mulheres mantêm uma relação mais direta com os serviços públicos e, por isso, tendem a avaliar os candidatos a partir dos resultados entregues.

"As mulheres são o público que usa o serviço público mais diretamente. Estamos falando de educação, saúde e segurança pública. Elas dependem muito dessas políticas para ir e vir e, por isso, ficam muito ligadas em resultados concretos e menos na polarização", explicou.

Outro ponto levantado pela CEO do Instituto IDEIA é o nível de conhecimento do eleitor sobre Flávio Bolsonaro. Segundo ela, muitos brasileiros ainda associam sua imagem principalmente ao ex-presidente Jair Bolsonaro. "As pessoas não sabem se Flávio é deputado ou senador. O que ele tem é a herança do pai. Vemos na pesquisa espontânea que ele herdou os votos de Jair", afirmou.

Ao comparar o cenário atual com a eleição de 2018, Cila observou que o comportamento do eleitorado feminino mudou significativamente.

"Em 2018, as mulheres aderiram à campanha de Jair Bolsonaro porque a pauta da corrupção, impulsionada pela Lava Jato, era muito central. Hoje isso não acontece da mesma forma. As mulheres demoram mais para decidir o voto", avaliou.

A pesquisa Meio/IDEIA também mediu o impacto da crise envolvendo Michelle Bolsonaro. Em um cenário de primeiro turno, a ex-primeira-dama aparece com 29,4% das intenções de voto, desempenho inferior ao de Flávio. Já no segundo turno, Lula venceria Michelle por 45% a 36%, segundo o levantamento realizado entre os dias 3 e 6 de julho com 1.500 eleitores. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

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