Embaixadora precisará de autorização para entrar nos EUA
Fontes governistas dizem que não houve "cancelamento ou revogação" do documento de Maria Viotti, mas, sim, uma mudança no número de entradas permitidas no país
Hariane Bittencourt
Lula e Maria Luiza Viotti
A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, foi avisada pelo Departamento de Estado, no início da semana passada, sobre a intenção do governo de Donald Trump de alterar seu visto. Ela esteve na sede do órgão e, na terça-feira (4), recebeu por telefone a confirmação da medida.
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Segundo fontes do governo brasileiro, a diplomata não foi informada sobre a revogação do visto e recebeu dos americanos a garantia de que suas funções diplomáticas seriam preservadas. Na prática, Viotti continuará legalmente nos Estados Unidos exercendo o cargo de principal representante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com interlocutores, diferentemente do que afirmou o Departamento de Estado ao mencionar o "cancelamento ou revogação" do documento, a mudança foi no número de entradas permitidas no país. Antes, Viotti tinha autorização para vários acessos aos Estados Unidos. Agora, terá direito a apenas uma entrada. Caso deixe o território americano, precisará de nova autorização do governo americano para retornar.
Nos bastidores, a avaliação é de que a medida é grave, mas tem caráter mais simbólico do que prático. A orientação de Lula, por enquanto, é manter a embaixadora no posto. Essa decisão poderá ser revista caso haja algum constrangimento ou restrição ao exercício de suas funções. Novas investidas americanas também estão no radar, o que pode alterar a determinação.
Integrantes do governo afirmam que o Brasil ainda avalia possíveis respostas às medidas adotadas pelos Estados Unidos, mas nenhuma decisão foi tomada. Também descartam que a pressão americana, classificada nos bastidores como uma chantagem pública, acelere a concessão do agrément a Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Segundo essas fontes, qualquer definição sobre o tema ficará para depois das eleições.
O governo brasileiro também reforça a avaliação de que há uma tentativa de interferência americana nas eleições presidenciais. Interlocutores lembram que Perez foi anunciado em junho ao lado de outros 13 embaixadores e dizem estranhar o foco da Casa Branca no Brasil, que está sem embaixador americano desde janeiro do ano passado.
As mesmas fontes destacam, ainda, que pelo menos 16 autoridades brasileiras continuam com vistos negados pelos Estados Unidos em razão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no ano passado. O argumento é usado para rebater as críticas americanas à decisão do Brasil de negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam vir ao país para analisar o sistema eleitoral brasileiro.
Embaixadora precisará de autorização para entrar nos EUAFontes governistas dizem que não houve "cancelamento ou revogação" do documento de Maria Viotti, mas, sim, uma mudança no número de entradas permitidas no paísPolítica2026-08-05T22:51:16.462ZA embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, foi avisada pelo Departamento de Estado, no início da semana passada, sobre a intenção do governo de Donald Trump de alterar seu visto. Ela esteve na sede do órgão e, na terça-feira (4), recebeu por telefone a confirmação da medida. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Segundo fontes do governo brasileiro, a diplomata não foi informada sobre a revogação do visto e recebeu dos americanos a garantia de que suas funções diplomáticas seriam preservadas. Na prática, Viotti continuará legalmente nos Estados Unidos exercendo o cargo de principal representante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com interlocutores, diferentemente do que afirmou o Departamento de Estado ao mencionar o "cancelamento ou revogação" do documento, a mudança foi no número de entradas permitidas no país. Antes, Viotti tinha autorização para vários acessos aos Estados Unidos. Agora, terá direito a apenas uma entrada. Caso deixe o território americano, precisará de nova autorização do governo americano para retornar. Nos bastidores, a avaliação é de que a medida é grave, mas tem caráter mais simbólico do que prático. A orientação de Lula, por enquanto, é manter a embaixadora no posto. Essa decisão poderá ser revista caso haja algum constrangimento ou restrição ao exercício de suas funções. Novas investidas americanas também estão no radar, o que pode alterar a determinação. Integrantes do governo afirmam que o Brasil ainda avalia possíveis respostas às medidas adotadas pelos Estados Unidos, mas nenhuma decisão foi tomada. Também descartam que a pressão americana, classificada nos bastidores como uma chantagem pública, acelere a concessão do agrément a Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Segundo essas fontes, qualquer definição sobre o tema ficará para depois das eleições. O governo brasileiro também reforça a avaliação de que há uma tentativa de interferência americana nas eleições presidenciais. Interlocutores lembram que Perez foi anunciado em junho ao lado de outros 13 embaixadores e dizem estranhar o foco da Casa Branca no Brasil, que está sem embaixador americano desde janeiro do ano passado. As mesmas fontes destacam, ainda, que pelo menos 16 autoridades brasileiras continuam com vistos negados pelos Estados Unidos em razão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no ano passado. O argumento é usado para rebater as críticas americanas à decisão do Brasil de negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam vir ao país para analisar o sistema eleitoral brasileiro.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/embaixadora-precisara-de-autorizacao-para-entrar-nos-eua
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