Eleições 2026: especialista explica regras, perfil dos candidatos e desafios para o eleitor
Diretor do RenovaBR destaca ao PodNews o impacto da desincompatibilização, alerta para influência das redes sociais e defende maior preparo do eleitor

Hariane Bittencourt
O fim do prazo de desincompatibilização, em 4 de abril, marcou o início de uma nova fase do calendário eleitoral de 2026 e trouxe à tona dúvidas comuns entre eleitores e pré-candidatos. Em entrevista ao PodNews deste sábado (11), o diretor-executivo do RenovaBR, Rodrigo Cobra, explicou as regras do processo, os desafios da campanha eleitoral e o que deve ser observado na escolha de candidatos.
Segundo Cobra, a desincompatibilização é uma etapa essencial para garantir equilíbrio na disputa eleitoral. A regra obriga ocupantes de cargos no Executivo, como ministros e secretários, a deixarem suas funções antes de disputar eleições, evitando o uso da máquina pública em benefício próprio. Já os parlamentares, como deputados e senadores, não precisam se afastar. “O grande objetivo é garantir que as eleições sejam as mais equilibradas possíveis”, afirmou.
Apesar da movimentação política intensa desde o início de 2026, Cobra ressalta que o Brasil ainda está em fase de pré-campanha. “Hoje não temos candidato nenhum. Por mais incrível que pareça, todos são no máximo pré-candidatos”, explicou.
Pela lei eleitoral, as campanhas oficiais começam apenas em agosto, depois das convenções partidárias e do registro das candidaturas. Até lá, são permitidas apenas ações como exposição de ideias e arrecadação de valores via vaquinhas virtuais.
Redes sociais e distanciamento da política
Um dos principais pontos destacados pelo diretor-executivo do RenovaBR é a transformação das eleições com o avanço das redes sociais. “As eleições estão se transformando, se tornando mais complexas e há um distanciamento físico, mesmo que haja uma proximidade no virtual”, pontuou.
Segundo ele, candidatos com maior domínio digital podem ganhar vantagem, o que exige mais atenção do eleitor. “A mesma pesquisa que a gente faz para comprar um produto, a gente tem que fazer para escolher candidatos”, alertou Cobra.
Voto: entre ideologia e identificação pessoal
A entrevista também discutiu o comportamento do eleitor brasileiro que, segundo Cobra, ainda é fortemente influenciado por lideranças nacionais. “A política se aproxima do brasileiro na necessidade. Muitas vezes a pessoa não vota pela ideologia, mas porque o líder daquela ideologia está pedindo voto”.
Ele aponta a consolidação de dois grandes polos políticos no país - petismo e bolsonarismo - com impacto direto nas eleições, inclusive para cargos locais. E destaca a importância de o eleitor assumir um papel mais ativo no processo eleitoral. “Se você não lembra em quem votou [nas últimas eleições], talvez essa pessoa não tenha marcado você o suficiente”, disse.
Fique atento às datas
- De 20 de julho a 5 de agosto: Período para a realização das convenções partidárias, onde os candidatos são escolhidos oficialmente
- 15 de agosto: Prazo final para os partidos registrarem suas candidaturas na Justiça Eleitoral
- 16 de agosto: Início da campanha eleitoral
- 4 de outubro: 1º turno das eleições
- 25 de outubro: 2º turno das eleições









