Política

Datafolha: 54% acham que Bolsonaro quis fugir ao danificar tornozeleira eletrônica; 33% culpam surto

Ex-presidente teve prisão preventiva decretada em 22 de novembro após romper equipamento com ferro de solda

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Camila Stucaluc
08/12/2025, 08:11 • Atualizado em 08/12/2025, 08:11
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O ex-presidente Jair Bolsonaro | Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro | Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Cerca de 54% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) danificou a tornozeleira eletrônica para fugir, enquanto 33% relacionam a ação ao surto paranoico relatado pelo político. Os dados constam na nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na noite de domingo (7).

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Ao todo, foram ouvidos 2.002 eleitores em 113 cidades do país entre os dias 2 e 4 de dezembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou menos. Cerca de 13% dos entrevistados não souberam dizer o que acham do caso.

Segundo o levantamento, jovens de 16 a 24 anos acreditam mais na fuga (60%), enquanto os mais ricos apostam no surto (40%). Na divisão por regiões do Brasil, 40% dos moradores do Sul e Norte/Centro-Oeste acreditam que Bolsonaro estava em surto, teoria rejeitada pela maioria dos nordestinos (61%), que apostam em uma tentativa de fuga.

O uso da tornozeleira eletrônica foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a prisão domiciliar de Bolsonaro em agosto. A decisão foi tomada no teor do inquérito que investigava o ex-presidente e seu filho Eduardo Bolsonaro por suposta atuação junto ao governo dos Estados Unidos para promover sanções a autoridades brasileiras.

No dia 22 de novembro, às 0h08, Moraes foi alertado pela Polícia Federal de que o ex-presidente havia tentado romper a tornozeleira eletrônica. Diante da vigília de apoiadores em frente ao condomínio do ex-presidente, o magistrado apontou “elevado risco de fuga”, determinando a prisão preventiva do político.

A tornozeleira foi levada para perícia no Instituto Nacional de Criminalística. Uma análise inicial apontou que o aparelho possuía sinais claros e importantes de avaria, com marcas de queimadura em toda sua circunferência e no local de encaixe/fechamento do case.

No dia seguinte, Bolsonaro passou por audiência de custódia em Brasília, onde disse que tentou violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda em meio a uma “alucinação” de que havia uma escuta da Polícia Federal no equipamento. Ele defendeu que a "paranoia" pode ter sido causada por uma nova medicação, iniciada há cerca de quatro dias, e negou que tinha qualquer intenção de fuga.

Ao final da audiência, a prisão de Bolsonaro foi mantida, já que ocorreu dentro da legalidade. Ele foi levado à superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde atualmente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Ao todo, o ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão.

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