Política

Condenação de Bolsonaro 'não significa o fim de seu movimento político', diz The Guardian

Para jornalista, o bolsonarismo ainda é um movimento forte que 'continuará a prosperar', mesmo com o ex-presidente fora de cena

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Sofia Pilagallo
13/09/2025, 03:01 • Atualizado em 13/09/2025, 03:01
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Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro participam de manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: Cadu Pinotti/Agência Brasil - 03.08.2025

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro participam de manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: Cadu Pinotti/Agência Brasil - 03.08.2025

O jornal britânico The Guardian publicou um artigo de opinião em que afirma que a prisão de Jair Bolsonaro (PL) "não significa de forma alguma o fim de seu movimento político". Na quinta-feira (11), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o ex-presidente culpado por golpe de Estado e outros crimes e o sentenciou a 27 anos e 3 meses de prisão.

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No texto, o jornalista Tom Phillips, correspondente do The Guardian na América Latina, disse que o veredito é "histórico", uma vez que essa foi a primeira vez que um ex-presidente brasileiro foi considerado culpado por tentar derrubar a democracia do país. Apesar do importante marco, ele ressalta que o bolsonarismo ainda é forte e que o movimento "continuará a prosperar".

"Bolsonaro recebeu mais de 58 milhões de votos nas eleições de 2022 e, apesar de sua condenação, continua extremamente popular entre certos setores da sociedade, incluindo a comunidade evangélica, nas regiões rurais do Brasil e entre membros das forças de segurança e conservadores de classe média", escreveu. "Os protestos pró-Bolsonaro ainda atraem dezenas de milhares de cidadãos às ruas."

Segundo Phillips, a opinião é endossada por especialistas e políticos de todo o espectro — entre eles, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), uma das principais lideranças da esquerda no Brasil. Em entrevista, ele afirmou que embora a queda de Bolsonaro tenha sido um "golpe" para a direita brasileira antes das eleições do ano que vem, o bolsonarismo segue vivo: "A extrema direita construiu uma base social sólida que vai muito além da figura de Bolsonaro."

Inelegível e condenado por golpe de Estado, Bolsonaro está fora da corrida presidencial em 2026, mas já ventilam nos bastidores alguns nomes da extrema direita que poderiam substitui-lo na disputa. Entre eles, estão membros de sua própria família, como seu filho senador, Flávio Bolsonaro, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também é visto como uma alternativa viável.

Repercussão internacional

Mais cedo, o jornal americano The New York Times também se posicionou sobre a condenação de Bolsonaro. Segundo o veículo, "o Brasil teve sucesso onde os Estados Unidos falharam".

Após perder as eleições de 2020 para Joe Biden, Donald Trump pôs em xeque a confiabilidade do sistema eleitoral e incitou o ataque ao Capitólio, a sede do Congresso, em Washington, em 6 de janeiro de 2021. Ao contrário de Bolsonaro, ele nunca foi julgado por estas acusações e ainda concedeu anistia para cerca de 1.500 envolvidos na invasão.

"Na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal brasileiro fez o que o Senado dos EUA e os tribunais federais tragicamente falharam em fazer: levar à justiça um ex-presidente que atacou a democracia", escreveram os autores.

"Esses acontecimentos contrastam fortemente com os Estados Unidos, onde o presidente Trump, que também tentou anular uma eleição, foi enviado não para a prisão, mas de volta à Casa Branca", acrescentaram.

Além do The Guardian e do The New York Times, outros vários veículos estrangeiros deram destaque para a condenação de Bolsonaro. Entre eles estão Washington Post, The Wallstreet Journal, Bloomberg, The Economist, El País, BBC e Clarín.

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