Política

Comissão do Senado aprova criação de política de promoção da cultura de paz nas escolas

Entre as diretrizes da nova política estão a capacitação dos profissionais da educação em práticas pedagógicas para prevenção da violência

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Guilherme Resck
Projeto de Lei ainda será analisado pela Comissão de Educação e Cultura | Mary Leal/Ascom-SEEDF

Projeto de Lei ainda será analisado pela Comissão de Educação e Cultura | Mary Leal/Ascom-SEEDF

A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado aprovou, nesta terça-feira (11), um Projeto de Lei (PL) que cria a Política Nacional de Promoção da Cultura de Paz nas Escolas. O texto recebeu parecer favorável do relator, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), e segue para análise da Comissão de Educação e Cultura.

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Pelo projeto, entre os objetivos da política, que seria implementada em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, estão, por exemplo:

  • Unir e compartilhar esforços, experiências e boas práticas que fortaleçam a boa convivência no ambiente escolar, com envolvimento de toda a comunidade, de forma a promover a cultura de paz;
  • Adotar medidas preventivas e educativas para controlar atos de violência no ambiente escolar, de forma a garantir um ambiente seguro e acolhedor;
  • Oferecer suporte e assistência psicológica, na forma da legislação, de maneira prioritária, a estudantes envolvidos em situações que ameacem a segurança e a cultura de paz;
  • Criar ambiente acolhedor dentro das escolas para recebimento de denúncias ou de possíveis ameaças, para que tenham a devida apuração e o rápido encaminhamento pelos gestores às autoridades competentes, a fim de evitar possíveis atos de violência escolar.

A Política Nacional seria orientada por princípios como valorização do diálogo e do convívio entre gerações; redução da marginalização e das desigualdades sociais como forma de prevenção da violência; e reconhecimento de que todos têm o mesmo valor, para tornar possível a convivência harmoniosa entre as diferenças e promoção de ações educativas para prevenir a violência escolar.

Entre as diretrizes estão o incentivo à participação dos estudantes, dos professores e dos funcionários das escolas públicas em atividades que incentivem a cultura de paz, a capacitação dos profissionais da educação em práticas pedagógicas voltadas à prevenção da violência e à promoção da cultura de paz, e a discussão dos problemas relacionados à segurança nas escolas.

Além disso, prevê a criação de canais acessíveis e exclusivos para o recebimento de denúncias de violência escolar ou de ameaças que coloquem em risco a segurança dos estudantes e dos profissionais das escolas.

O Projeto de Lei também estabelece a criação de protocolos de prevenção e de gestão de crise para o enfrentamento de situações de violência nas escolas públicas e privadas de todo o país.

Parecer de Kajuru

De autoria da deputada federal Professora Goreth (PDT-AP), o projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em agosto do ano passado. Em seu relatório na CSP do Senado, Kajuru disse que o texto não se rende à "tentação de inutilmente recorrer ao direito penal como única medida a tratar da violência nas escolas".

O senador ressalta que o projeto, considerando que crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento, investe na perspectiva pedagógica e na prevenção de incidentes. "Também promove a atenção psicológica aos envolvidos (art. 2º, IV). Esses traços são, a nosso sentir, seus pontos positivos mais relevantes, razão pela qual o voto é pela aprovação".

No relatório, que foi aprovado pela comissão, Kajuru rejeitou ainda uma emenda do senador Sergio Moro (União-PR). Ela tipificava os crimes de massacre, incitação ao massacre e apologia de massacre no Código Penal.

"Sobre a emenda apresentada, a respeito do aventado crime de massacre, no entanto, nosso parecer é contrário, porque não vemos pertinência temática com o texto vindo da Câmara, bem como porque alteração de tal monta na disciplina legal dos homicídios praticados contra múltiplas vítimas está a merecer maior reflexão desta Casa", pontuou Kajuru.

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