Política

CNBB reforça posição contrária à redução da maioridade penal

Bispos da Igreja Católica argumentam insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para tirar juventude da criminalidade

Avatar de Beatriz Nogueira
Beatriz Nogueira
CNBB realiza coletiva de imprensa após eleição do novo papa | Reprodução

CNBB realiza coletiva de imprensa após eleição do novo papa | Reprodução

Com a retomada da discussão sobre a redução da maioridade penal em meio à tramitação da PEC da Segurança Pública, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reafirmou seu posicionamento contra a proposta, nesta quinta-feira (15).

"Essa convicção nasce da defesa da dignidade da pessoa humana, especialmente dos adolescentes, que se encontram em processo de desenvolvimento e devem ser responsabilizados por seus atos sem serem privados da possibilidade de recuperação e reintegração social", declarou em nota.

🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

A instituição entende que o judiciário brasileiro já prevê mecanismos de responsabilização para adolescentes por meio das medidas socioeducativas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo.

Os bispos destacam que o desafio está na fragilidade de sua implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude.

Debate acirrado de olho na eleição

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou na quarta-feria (14) uma emenda à PEC da Segurança para reduzir a maioridade penal para 16 anos. De acordo com a proposta, crimes como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e organização criminosa teriam uma régua ainda mais baixa: de 14 anos.

Também na quarta, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), aliado do governo, afirmou em entrevista ao News Primeira Edição, que o texto terminará de ser votado até a semana que vem, antes do segundo turno das eleições e que a redução da maioridade penal será aprovada na PEC da Segurança Pública.

Porém, o tema dividiu a bancada do PT nesta quinta-feira (15). Mesmo diante da resistência da líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) sobre a mudança na lei, o senador Camilo Santana (PT) apresentou a emenda que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.

“A sociedade brasileira clama por medidas concretas de contenção da violência. Uma resposta insuficiente a crimes bárbaros praticados por quem é capaz de compreendê-los corrói a credibilidade das instituições e do próprio pacto social.”, afirma Camilo na justificativa do texto.

Últimas notícias