Política

Câmara aprova urgência para projetos que cortam benefícios fiscais e criam novos incentivos

Deputados aceleram tramitação das propostas em meio a críticas ao governo Lula por elevar impostos em vez de cortar gastos

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Jessica Cardoso
08/07/2025, 23:33 • Atualizado em 08/07/2025, 23:33
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Plenário da Câmara dos Deputados | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Plenário da Câmara dos Deputados | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (8), um requerimento de urgência para o Projeto de Lei Complementar (PLP) 128/25, que estabelece a redução gradual de benefícios tributários, financeiros e creditícios concedidos pelo governo federal. No entanto, também acelerou a tramitação de outras duas propostas que criam novos benefícios fiscais.

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As votações, que permitem que os textos sejam votados diretamente no plenário, sem passar por comissões temáticas, ocorrem em meio às críticas do Congresso Nacional ao governo Lula (PT). Parlamentares afirmam que o presidente prioriza o aumento de impostos para elevar a arrecadação em vez de fazer cortes significativos de despesas.

O projeto de lei que prevê a redução de benefícios fiscais estabelece um corte mínimo de 10% até o fim de 2026, dividido em duas etapas: 5% em 2025 e mais 5% em 2026.

De autoria do deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), a proposta permite que os cortes sejam distribuídos de forma diferenciada entre os setores econômicos, desde que o percentual mínimo total seja cumprido.

A medida não se aplicará a benefícios destinados a fundos constitucionais de financiamento (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), entidades sem fins lucrativos, zonas de livre comércio, programas de bolsas de estudo e produtos da cesta básica.

O texto também proíbe a criação de novos benefícios federais dessa natureza ou a prorrogação de subsídios existentes, salvo se houver redução simultânea e equivalente de outro benefício do mesmo tipo. Segundo Benevides, o objetivo é reduzir privilégios setoriais, melhorar a sustentabilidade fiscal e ampliar a capacidade de investimento do governo.

Atualmente, os gastos com benefícios federais somam R$ 678 bilhões, incluindo R$ 540 bilhões em gastos tributários (4,4% do PIB), R$ 73,1 bilhões em benefícios financeiros e R$ 61,1 bilhões em benefícios creditícios.

Programa de incentivo à indústria química

Os deputados aprovaram, na mesma sessão desta terça-feira (8), a urgência para o PL 892/25, do deputado Afonso Motta (PDT-RS). A proposta visa criar o Programa Especial de Incentivo à Indústria Química (Presiq) e prevê dois tipos de benefícios fiscais, com início em 2027.

Na modalidade compras, as empresas cadastradas poderão receber créditos financeiros de até 5% sobre o valor gasto na aquisição de determinados insumos químicos, com limite anual de R$ 4 bilhões entre 2027 e 2029. O projeto prevê possibilidade de prorrogação do benefício nos anos seguintes, desde que respeitado o teto global.

Na modalidade investimento, voltada para centrais petroquímicas e indústrias químicas que assumirem compromissos de investimento, o crédito financeiro poderá chegar a 3% da receita bruta até o limite do valor investido, com teto de R$ 1 bilhão anual entre 2027 e 2029.

Benefícios ao setor de telecomunicações

Também foi aprovado o regime de urgência para o PLP 4635/24, que prorroga até 31 de dezembro de 2030 os benefícios fiscais concedidos a equipamentos inteligentes, conhecidos como dispositivos de internet das coisas (IoT). A proposta, do deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), visa estimular o setor de telecomunicações e ampliar o uso dessas tecnologias no país.

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