Política

Caiado lança pré-candidatura a presidente e promete anistiar Bolsonaro se for eleito

Governador de Goiás defendeu o agronegócio e citou vanguarda do estado em inteligência artificial e minerais críticos

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SBT News
30/03/2026, 19:44 • Atualizado em 31/03/2026, 01:54
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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, 76 anos, lançou nesta segunda-feira (30) sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Partido Social Democrático, o PSD, na sede da sigla em São Paulo.

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Segundo Caiado, seu primeiro ato como presidente, caso venha a ser eleito, será decretar uma anistia "ampla, geral e irrestrita" para os condenados por tentativa de golpe de Estado, incluindo para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e 3 meses por decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. A medida precisaria de aval do Congresso.

"A polarização é sustentada por um projeto político por aqueles que se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é ali parte dela. E é o que pretendo fazer chegando à Presidência. Meu primeiro ato vai ser exatamente uma anistia ampla, geral e irrestrita [...] ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente [Jair Bolsonaro] estarei dando uma amostra que a partir dali, eu vou cuidar das pessoas", afirmou.

Caiado focou seu discurso em criticar os rumos do país sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e mostrar resultados de seu governo em Goiás em temas-chave como segurança, agronegócio, minerais críticos e inteligência artificial. Ele evitou críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sugeriu que o esforço da direita nesta eleição será neutralizar definitivamente as chances de o PT ser viável à Presidência novamente.

"O PT teve cinco eleições no país depois do regime militar. No entanto, nós ganhamos uma eleição [com Jair Bolsonaro, em 2018]. Depois ele [PT] voltou. É importante que todos entendam que o desafio não é ganhar a eleição do PT apenas, isso daí é fácil. Sem dúvida nenhuma no segundo turno ele estará batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país", afirmou.

A única referência a Flávio foi feita de maneira discreta, quando o agora pré-candidato sugeriu que, assim como hoje avalia ter sido precoce a sua candidatura a presidente em 1989, o mesmo ocorre agora com o senador, que nunca ocupou cargos do Executivo.

"Ganhar não é a maior dificuldade, nós vamos ganhar. Agora, vai saber governar ou vai querer aprender a governar na cadeira?", questionou.

Ele também sinalizou a intenção de intensificar o combate ao crime organizado em um momento em que o governo Lula tenta evitar que grupos como o PCC e o Comando Vermelho sejam taxados como terroristas pelos EUA e abram brecha para intervenções estrangeiras. Para Caiado, inexiste no Brasil o conceito de "Estado Democrático de Direito" dada a expansão dessas organizações criminosas.

"Isso não existe hoje. É uma falácia. Não existe Estado Democrático de Direito em um país onde o narcotráfico tem sob sua tutela quase 60 milhões de brasileiros e comanda grande parte do território", avaliou.

Ele aposta na alta aprovação entre o eleitorado goiano, na formação como médico cirurgião e na carreira política – além de governador, também foi cinco vezes deputado federal e uma vez senador pelo estado – para se cacifar como um político da direita moderada que acredita na "ciência, pesquisa e avanço tecnológico” e que pode liderar a terceira via e a oposição ao governo Lula. “Ninguém atinge 88% [de aprovação] sendo radical”, disse.

Em sua avaliação, a sua pré-candidatura começará a ser impulsionada com debates, proporcionando ao eleitor a opção de romper com as "bolhas" formadas nos polos lulista e bolsonarista. "Até porque bolha foi feita para ser rompida mesmo", brincou.

Caiado vai renunciar ao comando do Palácio das Esmeraldas na terça (31) para dar início aos esforços de campanha. O vice-governador Daniel Vilela (MDB) assumirá o cargo.

O goiano venceu a disputa interna contra os governadores do Paraná, Ratinho Jr., e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Ratinho era tido como favorito à vaga, mas anunciou que não iria concorrer na última semana para encaminhar o nome que o sucederá ao governo. A cadeira passou a ser ameaçada pelo senador Sergio Moro, que trocou o União Brasil pelo PL de Flávio e lidera as pesquisas sob possíveis nomes da situação.

Já Leite disse que a decisão da cúpula do PSD e do presidente Gilberto Kassab "tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita" o país.

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