Política

"Aprovar PL da Misoginia na Câmara vai ser um verdadeiro ringue", afirma relatora do texto aprovado no Senado

Ao Sala de Imprensa, Soraya Thronicke diz que Brasil vive pandemia de violência contra mulher e que reação popular pode mobilizar Congresso a por novas leis

Imagem da noticia "Aprovar PL da Misoginia na Câmara vai ser um verdadeiro ringue", afirma relatora do texto aprovado no Senado
Senadora Soraya Thronicke em entrevista ao Sala de Imprensa do SBT News | Reprodução
, ,

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) afirmou ao SBT News que irá se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta, nos próximos dias para defender a aprovação do PL da Misoginia, que equipara aversão e ódio às mulheres a outros tipos de preconceitos, como o racismo, e torna a prática inafiançável e imprescritível.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O texto foi aprovado por unanimidade por senadores, após pressão da sociedade civil. Agora, vai para análise dos deputados e encontra mais resistências.

“Apesar de já termos inaugurado o ‘baixo clero’ no Senado Federal, a Câmara dos Deputados realmente é mais difícil. Podem esperar escândalos, gritos, até (embates) físicos. Vai ser um verdadeiro ringue para ganhar esse round. Mas eu creio que, de acordo com o envolvimento da população, a tendência é que coloquem para votar”, afirmou em entrevista ao Sala de Imprensa.

No programa, Thronicke esclarece quais condutas o texto criminaliza. Após aprovação no Senado, vários conteúdos mentirosos publicados na internet distorceram as informações sobre o projeto de lei.

“A pessoa pode falar ‘bom dia’ para uma pessoa? Sim. Pode elogiar? Ok, desde que não seja um assédio sexual, é uma questão de razoabilidade”, explicou.
“Vai passar a ser crime externar o ódio e a repulsa às mulheres. A lei não vai proibir ninguém de pensar. Quem quiser continuar misógino, e há homens e mulheres misóginos, o problema vai ser externar”, detalhou.

A senadora destacou que a aprovação do projeto de lei chega em momento de expansão de grupos voltados a agredir mulheres, os chamados red pills. Em 2025, o Brasil registrou o assassinato de 4 mulheres por dia, vítimas de feminicídio, quando o crime é cometido por ódio contra mulheres.

“Precisamos fazer um tratamento de choque na população brasileira. É uma agonia o que vivemos. Acordamos todos os dias e vamos dormir com notícias cada vez mais estarrecedoras em todas as classes. O que mais me espanta é que a ojeriza à palavra feminismo é pior que ao nome feminicídio”, pontuou.

O texto estabelece conceitos de termos que envolvem os universos masculino e feminino. “O machismo tem por objetivo a supremacia do homem sobre a mulher. O contrário de machismo é femismo e não feminismo. O femismo busca a supremacia das mulheres em detrimento dos homens. Já o feminismo pretende alcançar a igualdade ou a isonomia, portanto direitos iguais, entre homens e mulheres. A misoginia é o ódio, a aversão, a segregação da mulher”, descreve a relatora.

Uma vez registrado boletim de ocorrência, o Ministério Público passará a ser obrigado a abrir processo e levar o caso à justiça, mesmo que a vítima não queira. Isso porque muitas mulheres desistem de seguir com a ação, o que é parte da relação conturbada e de dependência emocional e/ou financeira que muitas vítimas vivem.

“Estamos vendo números alarmantes. Parece que vivemos uma pandemia de violência contra mulher. Por mais que estejamos legislando para proteger as mulheres, o homem que quer cometer um crime contra mulher não tem medo da legislação. Por isso que nós devemos continuar e fazer que sejam desengavetados projetos de lei de suma importância para evitar que chegue a esse ponto”.

Há projetos, que também tramitam no Congresso, e flexibilizam a posse e o porte de spray e espuma de pimenta; taser de choque; e também de cães treinados para proteger mulheres de ataques.

O programa Sala de Imprensa vai ao ar todo domingo, às 19h, no SBT News

Últimas Notícias