Política

Após obstrução, presidente da Câmara vê "dificuldade" em anistia ampla: "Não sei se há ambiente"

Hugo Motta disse não saber se é possível pautar anistia de quem planejou a morte de pessoas

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Gabriela Vieira
11/08/2025, 18:28 • Atualizado em 11/08/2025, 18:28
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Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não tem pressa para discutir PEC do semipresidencialismo | Divulgação/Kayo Magalhães/Agência Câmara

Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não tem pressa para discutir PEC do semipresidencialismo | Divulgação/Kayo Magalhães/Agência Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, disse nesta segunda-feira (11) que há uma certa dificuldade em pautar a anistia. Em entrevista à Veja, ele afirma que não há ambiente para anistiar quem "agiu daquela forma", reforçando que "tivemos planejamento de morte de pessoas", o que é muito "grave".

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Hugo Motta também citou o "motim" dos opositores no Congresso Federal. Em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), parlamentares pediram pela anistia dos condenados pelo 8 de janeiro, impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e fim do foro privilegiado.

A ocupação, que durou mais de 30 horas, acabou na última quinta-feira (7). Em resposta a obstrução, a Mesa Diretora da Câmara mandou um pedido de punição de 14 deputados e senadores que participaram do motim.

O corregedor da Câmara, deputado Diego Coronel (PSD-BA), já realiza análise técnica das representações contra parlamentares e deve se manifestar até quarta (13), data-limite para apresentação à Mesa Diretora de pareceres sobre cada caso.

Durante a entrevista, Motta defendeu a importância de lembrar que "nós temos o regimento interno da casa que permite a obstrução, obedecendo as regras. O que foi feito na semana passada foi uma obstrução física que ultrapassa os limites do regimento".

Ele também disse que, na história do parlamento, nunca houve nenhum movimento igual ao que ocorreu semana passada. "Movimento fora do razoável e acontecimento triste", disse.

Eduardo Bolsonaro

Na quinta-feira (7), Hugo Motta já tinha comentado sobre o mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Na ocasião, ele disse que não há mandato à distância no regimento da Casa.

Agora, durante a entrevista à Veja, ele disse que cada parlamentar tem a autonomia e liberdade para agir de acordo com o que acha importante. No entanto, "não, se trouxer prejuízos à economia do Brasil".

“Eu não posso concordar com a atitude de um parlamentar que está fora do país trabalhando muitas vezes para que medidas cheguem ao seu país de origem e tragam danos à economia do seu país. Isso não pode ser admitido”, afirmou.

Motta também deixou claro que não é a favor da posição do deputado nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro se mudou no começo do ano e vem trabalhando com o presidente norte-americano, Donald Trump, na aplicação do tarifaço nos produtos brasileiros. Posição que Motta afirmou ser "contra o Brasil".

“Temos uma posição contrária a esse tipo de comportamento. Nós temos de defender nosso país, e eu penso que Eduardo Bolsonaro poderia estar defendendo politicamente algo que ele acredita, defendendo a inocência do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas nunca atentando contra o país. Ninguém pode concordar em ter seu país prejudicado pela atitude de um parlamentar”, reforçou.

Em relação ao tarifaço, Motta disse que vai trabalhar para diminuir os impactos das tarifas nos produtos brasileiros exportados. "Estamos aqui de prontidão para agir imediatamente, para garantir que esses danos possam ser dirimidos e os impactos possam ser diminuídos", disse.

Outras pautas

Hugo Motta vai levar para a reunião de líderes da terça-feira (12) projetos que tratem da proteção das crianças e adolescentes nas plataformas digitais. Ele citou postagem do influenciador Felca sobre a "adultização" de crianças nas redes sociais.

"O segundo semestre tende a ser de muitas matérias importantes. Nosso foco é produzir o que é realmente importante para a população brasileira", disse.

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