Política

Alvo da PF, PCO ataca Moraes e cita perseguição a Bolsonaro

Partido criticou operação nesta terça (11) que fez buscas por suspeita de desvios de fundos de campanha

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Victor Schneider
Rui Costa Pimenta durante live do PCO | Reprodução

Rui Costa Pimenta durante live do PCO | Reprodução

O Partido da Causa Operária (PCO) e seu presidente, Rui Costa Pimenta, alegaram perseguição política e abuso de autoridade após a Polícia Federal (PF) realizar buscas nesta terça-feira (11) em endereços ligados à sigla por suspeita de desvio de verbas voltadas para a campanha política.

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Em live transmitida pelo canal do partido no YouTube, Rui Costa Pimenta disse que a investigação é mais um episódio dos “desmandos e arbitrariedades” do Poder Judiciário, de que diz ser o principal crítico no país. Situado no espectro da esquerda radical, o PCO alega, inclusive, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é uma das vítimas do que considera serem excessos da PF e do Supremo Tribunal Federal (STF).

“O que exatamente está acontecendo? Nós estamos aí para dar um golpe de Estado, como acusaram o Bolsonaro? Será que a gente tem relação com os kids pretos? O que eles querem prevenir com esse tipo de coisa?", questionou o presidente do partido.

Em nota lida durante a transmissão, a executiva nacional do PCO diz que os agentes teriam se frustrado ao descobrir que Rui tem “uma vida simples, sem luxos e sem dinheiro guardado” no bairro de Jabaquara, na zona sul de São Paulo, e que a maior riqueza presente no local era a “sua biblioteca".

Na sequência, o comunicado mira o ministro Alexandre de Moraes e a sua esposa, Viviane Barci, que manteve contrato de R$ 129 milhões para prestação de consultoria jurídica ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. O PCO diz que Moraes tem em relógios de luxo o que “o companheiro Rui tem em vida".

“Eu queria, por exemplo, ter um contrato com o Vorcaro para que ele me desse R$ 130 milhões. Acho que eu vou ligar para ele e ver se me dá um contrato desse", ironizou o dirigente partidário.

A Operação Causa Própria, deflagrada nesta terça, cumpriu seis mandados de busca e apreensão em quatro endereços, incluindo a casa de Rui Costa Pimenta e escritórios do partido, todos em São Paulo. A suspeita é de desvio de recursos públicos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral para finalidades alheias ao propósito original.

A investigação apura se o dinheiro foi repassado a empresas e pessoas sem vínculo com a atividade político-partidária, com suspeita dos crimes de apropriação indébita eleitoral, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.

Rui Costa Pimenta destacou que os gastos do partido são “modestos” e que a investigação levanta suspeitas sobre repasses que são legais, como no caso de gráficas contratadas para imprimir banners, panfletos e demais materiais de campanha. Para o presidente do PCO, o fato de essas empresas serem geridas por militantes do partido não implica em nenhum crime.

“O juiz pode achar estranho, mas não é ilegal. [...] Não está na lei eleitoral, no regulamento do TSE, a obrigação de se contratar empresas que não têm vinculação partidária. É uma coisa absurda", criticou.

O PCO não cumpriu a cláusula de desempenho para ter acesso a recursos do fundo partidário neste ano. Por outro lado, teve direito a R$ 3,3 milhões da Justiça Eleitoral para gastos de campanha. Fundado em 1995 como dissidência do PT, a sigla elegeu só um representante em três décadas de atuação: o vereador João Vieira da Silva, em 2004, pelo município de Benjamin Constant (AM).

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