Política

Brasileira morta no Líbano é enterrada sem presença da família

Família de adolescente morta em bombardeio israelense no Líbano faz apelo ao governo brasileiro para retirar brasileiros da região

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Jésus Mosquéra, Majô Gondim, Igor Marx
29/09/2024, 01:19 • Atualizado em 29/09/2024, 01:21
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A brasileira Mirna Raef Nasser morreu após bombardeio israelense no Líbano | Arquivo Pessoal

A brasileira Mirna Raef Nasser morreu após bombardeio israelense no Líbano | Arquivo Pessoal

A segunda vítima brasileira nos ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano, a adolescente Mirna Nasser, de 16 anos, foi enterrada junto com o pai sem a presença da família. O hospital onde os corpos estavam alegou falta de espaço para guardá-los, de acordo com Ali Bu Khaled, tio de Mirna.

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Segundo o relato de Ali, o hospital precisou enterrar os corpos devido à superlotação. “Quem foi e enterrou os corpos foi o pessoal do hospital, porque não tem lugar para colocar os feridos. Eles tiram um para colocar outro. Por isso, levaram eles e enterraram. Mas, da minha família, ninguém esteve no enterro”, desabafou.

Ali Bu Khaled aproveitou para fazer um apelo ao governo brasileiro, pedindo que organize uma operação para retirar os brasileiros que ainda estão no Líbano. “A pessoa que morreu, morreu. Fica a lembrança. Mas temos que salvar quem está vivo”, afirmou.

Mirna Nasser e o pai foram vítimas de um bombardeio israelense que atingiu a casa da família no Líbano. A primeira vítima brasileira no conflito foi Ali Kamal Abdallah, de 15 anos, que também morreu ao lado do pai, Kamal Hussein Abdallah, de 64 anos, que tinha nacionalidade paraguaia.

A situação dos brasileiros no Líbano foi discutida em uma reunião entre o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o Chanceler do Líbano, Abdallah Bou Habib, neste sábado, em Nova York. O encontro foi mais um passo em direção a uma possível operação de repatriação dos brasileiros na região. O Itamaraty monitora a situação, mas ainda não há previsão de quando ou como a retirada será realizada, pois depende da evolução do conflito.

De acordo com o historiador Andrew Patrick Traumann, professor de relações internacionais da PUC do Paraná, a morte do líder do Hezbollah pode desencadear uma invasão israelense por terra no Líbano, dificultando ainda mais a retirada dos civis. “Na invasão israelense ao Líbano de 82, uma das primeiras medidas adotadas por Israel foi fechar o aeroporto de Beirute. Então, é possível que isso aconteça novamente, o que tornaria muito difícil, por exemplo, um avião da Força Aérea Brasileira pousar em Beirute e resgatar os brasileiros. Realmente teria que haver uma saída terrestre”, explicou.

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