Política

As evidências e suspeitas da PF sobre a "Abin paralela"; veja o que se sabe

Polícia Federal encontrou itens da agência na casa de ex-assessor de Ramagem e acredita que Carlos Bolsonaro seja o líder político do grupo

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Raphael Felice
30/01/2024, 09:37 • Atualizado em 30/01/2024, 18:52
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As evidências e suspeitas da PF sobre a "Abin paralela"; veja o que se sabe

Foi deflagrada, nessa segunda-feira (29), mais uma fase da Operação Vigilância Aproximada, da Polícia Federal (PF). No novo episódio, o alvo central é o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos). Conhecido pelo apelido Carluxo, o filho "02" do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é investigado como chefe do núcleo político da "Abin paralela", que teria funcionado na Agência Brasileira de Inteligência, monitorando adversários e produzindo relatórios para o clã Bolsonaro clandestinamente.

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O SBT News traz um passo a passo sobre os principais pontos da investigação da Polícia Federal:

Abin paralela?

As apurações da PF indicam que a Abin paralela atuou de 2019 até meados de 2022, levantando dados de inimigos políticos, produzindo relatórios e informes para obtenção de vantagens pessoais e também para atrapalhar investigações. Os espiões usavam o software FirstMile para rastrear e monitorar autoridades e adversários políticos do clã Bolsonaro.

Investigações apontam que figuras públicas como os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, ambos do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia e o ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana, foram espionados ilegalmente.

Durante a gestão Bolsonaro, a agência foi chefiada pelo agora deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi o principal alvo da primeira fase da operação Vigilância Aproximada, realizada na semana passada.

Carlos Bolsonaro líder da Abin paralela?

O SBT News apurou que a PF considera que Carlos Bolsonaro era o principal líder político e destinatário dos informes produzidos pela equipe da "Abin paralela". "Nessas ações eram utilizadas técnicas de investigação próprias das polícias judiciárias, sem, contudo, qualquer controle judicial ou do Ministério Público", destaca a PF, em nota.

Além da proximidade com Ramagem, Carlos tinha influência sobre os policiais federais destacados para integrar a Abin no período – sete agentes da PF foram alvos na primeira fase.

O filho "02" do ex-presidente seria também o principal elo da "Abin paralela" com o clã Bolsonaro, recebendo informes e relatórios e coordenando as ações. Outros membros da família teriam se beneficiado do esquema, como o senador Flávio (PL-RJ) – o filho "01" – e Jair Renan – o filho "04".

Apreensões

A PF encontrou evidências de que a espionagem ilegal teria atingido 30 mil pessoas. Os dados estariam guardados em Israel. Foram apreendidos dezenas de computadores, celulares e pen drives, além de uma arma e um HD externo em endereços ligados a Ramagem e a Carlos Bolsonaro.

Entre os itens encontrados, estão um notebook e um telefone celular de propriedade da Abin, na casa de Giancarlo Gomes Rodrigues, militar e ex-assessor de Ramagem.

Indícios

Segundo a PF, Carlos Bolsonaro recebia informações da "Abin paralela" por meio de seus assessores, que atuavam como intermediários na suposta rede de informação ilegal. Nessa segunda-feira (29), os agentes recuperaram uma mensagem que mostra uma assessora de Carluxo pedindo informações sobre uma juíza ao então diretor da Abin, Alexandre Ramagem.

A operação aponta ainda indícios do uso do FirstMile e de outras estruturas da Abin para obtenção de informações sobre diversos casos, como:

- caso das rachadinhas envolvendo o gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quando ele foi deputado estadual no Rio de Janeiro;

- ações de espionagem e inteligência para difamar e descredibilizar as urnas eletrônicas;

- espionagem e vigilância dos ex-deputados Rodrigo Maia e Joice Hasselmann;

- investigação de tráfico de influência contra Jair Renan;

- ações de inteligência para descredibilizar as urnas eletrônicas;

- ação de espionagem e monitoramento para tentar associar os ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes a organizações criminosas;

- espionagem contra o ministro da Educação, Camilo Santana, à época governador do Ceará, e aos ex-deputados Joice Hasselmann e Rodrigo Maia;

- monitoramento da promotora do caso Marielle Franco e Anderson Gomes;

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