Suspeita de doença de Chagas leva à interdição preventiva de pontos de açaí em Ananindeua (PA)
Um homem morreu e outro se recupera após internação; Vigilância Sanitária investiga possível contaminação alimentar e descarta surto

SBT Brasil
Pontos de venda de açaí foram fechados preventivamente nesta segunda-feira (5) em Ananindeua, na região metropolitana de Belém, após suspeitas de contaminação pela doença de Chagas.
Um homem, que prefere não se identificar, relata que se recupera em casa após dias de agravamento dos sintomas. Em vídeo, ele descreve febre alta, dores intensas, cansaço, fadiga e dor de cabeça. Segundo o paciente, o diagnóstico foi confirmado somente após quase duas semanas, no Instituto Evandro Chagas. Ele chegou a ser internado em uma UTI, onde permaneceu por três dias.
O homem acredita ter sido infectado após consumir açaí comprado em um ponto de venda na Cidade Nova Seis, em Ananindeua. A equipe de reportagem do SBT esteve no endereço indicado e encontrou o estabelecimento fechado.
No bairro do Icuí-Guajará, também em Ananindeua, um jovem de 26 anos morreu no último sábado (3). De acordo com familiares, Ronald Maia estava internado havia sete dias com diagnóstico de doença de Chagas.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que acompanha o caso, mas não confirma a existência de um surto. Segundo a pasta, equipes da Vigilância Sanitária realizaram vistorias e análises técnicas em estabelecimentos de venda de açaí e, de forma preventiva, interditaram os locais até a conclusão das investigações.
A doença de Chagas é transmitida pelo inseto conhecido como barbeiro. A infecção pode ocorrer quando fezes do inseto entram em contato com feridas na pele, por transfusão de sangue ou por ingestão de alimentos contaminados, como o açaí, em casos de preparo inadequado. No Pará, a enfermidade é considerada endêmica.
O virologista Caio Botelho explica que a doença possui uma fase aguda, quando o parasita pode ser identificado em exame de sangue. Em seguida, evolui para a fase crônica, que pode comprometer o esôfago, o cólon e o coração. Nessa etapa, segundo o especialista, o tratamento antiparasitário perde eficácia.









