Polícia

Roubos e furtos de carros elétricos dobram em São Paulo e acendem alerta no setor

Peças de alto valor e tecnologia embarcada atraem criminosos e pressionam o preço do seguro

Silenciosos, modernos e econômicos, os carros elétricos e híbridos se tornaram símbolo de uma nova mobilidade urbana. Mas, junto com a expansão dessa frota, cresce também o interesse do crime. Um levantamento de uma empresa especializada em rastreamento e recuperação veicular aponta que o número de roubos e furtos desses veículos dobrou no estado de São Paulo em apenas um ano.

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Em 2025, foram 88 ocorrências, contra 44 em 2024. A pesquisa revela ainda uma mudança no perfil dos crimes. No ano passado, 52% dos casos foram de furto — quando o veículo é levado sem violência — e 48% de roubo. Já em 2024, o cenário era inverso: 56% eram roubos e 44% furtos.

Segundo o gerente de operações da Ituran Brasil, Fernando Correia, os criminosos passaram a usar tecnologia para driblar os sistemas de segurança.

“Antes, a ligação direta era simples de fazer. Agora, eles montaram uma estratégia para furtar esses carros. Entram no veículo, entendem a codificação, clonam a chave e levam o carro embora”, explica.

Ainda não há uma conclusão definitiva sobre o que motiva essa preferência pelos elétricos, mas uma das hipóteses iniciais era o valor das baterias e de componentes de alta tecnologia.

“A gente imaginou que fossem as baterias, que poderiam ser revendidas no comércio clandestino ou até em anúncios de peças na internet, mas ainda não conseguimos confirmar isso”, afirma Correia.

E esses anúncios existem. Em plataformas online, uma bateria de assoalho usada pode ser encontrada por cerca de R$ 35 mil, enquanto a mesma peça nova ultrapassa os R$ 90 mil, o que ajuda a explicar o apetite do mercado ilegal.

Mesmo com números absolutos ainda menores do que os dos carros a combustão, o ritmo de crescimento preocupa. Em apenas um ano, os crimes contra veículos eletrificados dispararam, mostrando que a tecnologia que veio para economizar e preservar o meio ambiente também passou a atrair o crime organizado.

O reflexo dessa nova onda já pesa no bolso dos proprietários. A empresária Letícia Bisoni levou um susto ao renovar o seguro do carro elétrico.

“No primeiro ano, a franquia era em torno de R$ 7 mil. Quando fui renovar, no meio de 2025, subiu para R$ 11 mil. Falei: tem que aceitar, tem que ter seguro”, conta.

Enquanto a frota de carros elétricos cresce nas ruas, autoridades, seguradoras e empresas de rastreamento reforçam o monitoramento. O desafio agora é impedir que a revolução verde também vire um novo filão para o crime.

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