Cidades

Roubos de joias de ouro crescem em São Paulo e metal vira foco de criminosos

Assaltantes passam a mirar alianças e outras peças de ouro em passageiros de carros, motos e em pedestres; metal atingiu alta histórica em 2025

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Por Vinícius Rangel

Os roubos de alianças se tornaram um alvo preferencial dos assaltantes no estado de São Paulo. Criminosos têm parado motos, carros e pedestres para levar apenas o ouro. A alta do metal no mercado internacional impulsiona esse tipo de crime e já preocupa especialistas e a polícia.

O assalto a uma joalheria em um shopping de Campinas reacendeu o alerta sobre a tendência de aumento de ações criminosas deste tipo.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, entre janeiro e setembro deste ano foram 62 casos de furtos e roubos em joalherias no estado. Na capital, o número é igual ao do ano passado, com 10 registros.

O ouro registrou uma alta histórica em 2025, ultrapassando os 134 dólares por grama. Com a disparada no valor das joias, cada peça se torna ainda mais desejada pelos criminosos.

“Existem aspectos que motivam o criminoso. Custo-benefício. Quando o benefício é grande, o risco assumido acaba sendo grande também. As joias, o ouro, eles são praticamente irrastreáveis, ou seja, dificilmente você consegue identificar depois que eles têm acesso. Eles podem, no caso do ouro, buscar o derretimento”, explica Roberto Alves, coronel da PM e especialista em segurança.

A professora Simone Pinto parou no sinal de uma avenida movimentada em São Paulo e deixou a mão para fora do carro. Foi o suficiente. Um motoqueiro encostou, anunciou o assalto e exigiu apenas uma coisa: a aliança de casamento.

“Veio um rapaz, olhou pra mim como se tivesse sendo simpático, educado, se aproximou com um sorriso que ele me deu e acabei aceitando e já pediu a aliança”, lembra. “Foi muito tenso, deu muito medo. Eu vim embora com as pernas tremendo. Agora fico de vidro fechado”, complementa.

Segundo a polícia, quase todas as peças roubadas vão para o mesmo destino: receptadores que mantêm o mercado paralelo funcionando, muitas vezes até em comércios legalizados, onde o ouro é derretido e desaparece. A baixa punição para quem compra material roubado mantém o ciclo do crime e incentiva novos assaltos.

“O crime para receptação, infelizmente no Brasil, não desestimula a prática criminosa. Raramente alguém vai ficar preso pelo crime de receptação. O roubo, que tem a possibilidade da cadeia, dificilmente o criminoso permanece no sistema, ou seja, o custo para ele é recompensado pelo benefício, que tem um grande valor comercial. Então esses roubos vão continuar acontecendo enquanto houver o receptador”, afirma Roberto Alves.

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