Pastor influencer é alvo de operação contra call center que cobrava até R$ 1.500 por orações no Rio
23 pessoas foram denunciadas, incluindo o Pastor Henrique Santini, por estelionato espiritual; grupo movimentou mais de R$ 3 milhões prometendo milagres
I
C
Isabella Antais, Caroline Vale
24/09/2025, 13:24 • Atualizado em 25/09/2025, 00:53
compartilhar
A Polícia Civil, em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro, deflagrou nesta quarta-feira (24) a “Operação Blasfêmia”, contra um esquema de estelionato espiritual que cobrava de fiéis por orações, prometendo curas e milagres.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
O principal investigado é Luiz Henrique dos Santos Ferreira, conhecido como Pastor Henrique Santini ou "Profeta Santini", influenciador com mais de 8 milhões de seguidores nas redes sociais. Ele teria liderado o esquema utilizando a estrutura de call centers clandestinos para se aproveitar da fé de milhares de pessoas.
As denúncias apresentadas pelo MPRJ envolvem 23 pessoas, incluindo sete adolescentes, e apontam crimes como estelionato, associação criminosa, charlatanismo, curandeirismo, falsa identidade, corrupção de menores, crime contra a economia popular e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, o pastor divulgava vídeos e disponibilizava um número de telefone para que fiéis buscassem soluções para conflitos pessoais e financeiros, mas o atendimento espiritual fazia parte de um esquema de exploração financeira da fé.
O grupo atuava a partir de escritórios em Niterói e São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, com dezenas de atendentes que se passavam pelo pastor em conversas via WhatsApp, utilizando áudios pré-gravados.
De acordo com os investigadores, os atendentes recebiam comissões proporcionais ao total arrecadado, com metas rígidas de desempenho, e eram dispensados caso não atingissem os valores mínimos estipulados.
Durante dois anos, o grupo movimentou mais de R$ 3 milhões, por meio de transferências via PIX, com valores que variavam de R$ 20 a R$ 1.500, dependendo do “tipo de oração” oferecida. As vítimas acreditavam falar diretamente com o pastor, mas eram atendidas por operadores que simulavam ser ele.
Na ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias do pastor e de empresas vinculadas a ele. Henrique Santini foi localizado em seu condomínio na zona oeste do Rio, e não foi preso, mas terá de usar tornozeleira eletrônica. Durante a operação, a polícia apreendeu 52 celulares, 6 notebooks e 149 chips utilizados na comunicação com as vítimas.
Em fevereiro, uma ação anterior havia flagrado 42 pessoas atuando na chamada “Casa dos Milagres”, em Niterói, confirmando a atuação coordenada do grupo.
O que diz o pastor?
Santini negou as acusações em entrevista à imprensa e disse ser alvo de "perseguição religiosa". As investigações seguem em andamento para identificar outras vítimas e possíveis integrantes da organização criminosa.
Em nota, a defesa dele informou que ainda não teve acesso à íntegra das denúncias apresentadas: "Todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas e que eventuais esclarecimentos serão devidamente prestados no curso regular do processo, dentro das garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa."
"Reiteramos nossa confiança de que os fatos serão devidamente apurados e esclarecidos perante a Justiça, afastando qualquer conclusão precipitada", completou.
Pastor influencer é alvo de operação contra call center que cobrava até R$ 1.500 por orações no Rio23 pessoas foram denunciadas, incluindo o Pastor Henrique Santini, por estelionato espiritual; grupo movimentou mais de R$ 3 milhões prometendo milagresCidades2025-09-24T13:24:14.375ZA Polícia Civil, em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro, deflagrou nesta quarta-feira (24) a “Operação Blasfêmia”, contra um esquema de estelionato espiritual que cobrava de fiéis por orações, prometendo curas e milagres. O principal investigado é Luiz Henrique dos Santos Ferreira, conhecido como Pastor Henrique Santini ou "Profeta Santini", influenciador com mais de 8 milhões de seguidores nas redes sociais. Ele teria liderado o esquema utilizando a estrutura de call centers clandestinos para se aproveitar da fé de milhares de pessoas. As denúncias apresentadas pelo MPRJ envolvem 23 pessoas, incluindo sete adolescentes, e apontam crimes como estelionato, associação criminosa, charlatanismo, curandeirismo, falsa identidade, corrupção de menores, crime contra a economia popular e lavagem de dinheiro. Como funcionava o esquema? Segundo as investigações, o pastor divulgava vídeos e disponibilizava um número de telefone para que fiéis buscassem soluções para conflitos pessoais e financeiros, mas o atendimento espiritual fazia parte de um esquema de exploração financeira da fé. O grupo atuava a partir de escritórios em Niterói e São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, com dezenas de atendentes que se passavam pelo pastor em conversas via WhatsApp, utilizando áudios pré-gravados. De acordo com os investigadores, os atendentes recebiam comissões proporcionais ao total arrecadado, com metas rígidas de desempenho, e eram dispensados caso não atingissem os valores mínimos estipulados. Durante dois anos, o grupo movimentou mais de R$ 3 milhões, por meio de transferências via PIX, com valores que variavam de R$ 20 a R$ 1.500, dependendo do “tipo de oração” oferecida. As vítimas acreditavam falar diretamente com o pastor, mas eram atendidas por operadores que simulavam ser ele. Operação desta quarta-feira (24) Na ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias do pastor e de empresas vinculadas a ele. Henrique Santini foi localizado em seu condomínio na zona oeste do Rio, e não foi preso, mas terá de usar tornozeleira eletrônica. Durante a operação, a polícia apreendeu 52 celulares, 6 notebooks e 149 chips utilizados na comunicação com as vítimas. Em fevereiro, uma ação anterior havia flagrado 42 pessoas atuando na chamada “Casa dos Milagres”, em Niterói, confirmando a atuação coordenada do grupo. O que diz o pastor? Santini negou as acusações em entrevista à imprensa e disse ser alvo de "perseguição religiosa". As investigações seguem em andamento para identificar outras vítimas e possíveis integrantes da organização criminosa. Em nota, a defesa dele informou que ainda não teve acesso à íntegra das denúncias apresentadas: "Todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas e que eventuais esclarecimentos serão devidamente prestados no curso regular do processo, dentro das garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa." "Reiteramos nossa confiança de que os fatos serão devidamente apurados e esclarecidos perante a Justiça, afastando qualquer conclusão precipitada", completou.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/pastor-e-alvo-de-operacao-contra-call-center-que-cobrava-ate-r-1-500-por-oracoes-no-rio
Relator da MP do Frete articula derrubar veto à anistia
Deputado federal Zé Trovão diz que anistia é humanitária e afirma que o Congresso pode reverter eventual veto de Lula à anistia de caminhoneiros em 2022